América Latina: penetração do crédito ainda é um tema secular, afirma banco

BoA Merrill Lynch chama atenção para desaceleração no Chile e México e vê taxa de desemprego de 9,3% no Brasil

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SÃO PAULO – “Pensamos que a América Latina verá uma normalização gradual do crédito materializando-se este ano, embora só se torne mais consistente após o terceiro trimestre de 2009”. A previsão é dos analistas do Bank of America Merrill Lynch, para quem a penetração do crédito ainda é um tema secular para a região. Dados recentes mostram algumas melhorias na oferta deste mercado e um gradual declínio das taxas de juro.

Ainda assim, fatores cíclicos devem pesar sobre a demanda por crédito antes que uma recuperação econômica possa proporcionar maior sustentabilidade à normalização das condições de crédito. Por sua vez, o desemprego e a deterioração da qualidade dos empréstimos só definirão o fundo do poço mais à frente, na visão da equipe do banco.

Nós devemos ver, ainda, um nivelamento em relação os pares internacionais, com a estrutura de crédito sendo o driver para o crescimento econômico da região, desde que a gestão política permaneça adequada para o atual abrandamento.

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“E para onde olhar?”. Para a instituição, os mercados irão acompanhar a grave desaceleração econômica de Chile e México no primeiro trimestre de 2009, mesmo com suas diferentes tendências.

Chile e México, distintas recessões

O Chile já entrou em recessão no final do ano passado e, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) provavelmente cairá de forma significativa pela frente, valores ajustados sazonalmente devem apoiar a opinião de que uma baixa cíclica foi estabelecida em dezembro e que o crescimento do país está em um caminho de tímida recuperação, com sinais de melhora projetados já para o segundo semestre deste ano.

Por outro lado, no México, a queda da demanda interna provavelmente irá confirmar que a economia tecnicamente entrou em recessão no primeiro quarto do ano. Tendo em conta que o impacto do abrandamento global que originalmente afetou a atividade produtiva continua a espalhar-se em outros grandes setores não transacionáveis da economia, o risco de rebaixamento da previsão do PIB do país em 2009 tem aumentado.

Também no México, o relatório de inflação do primeiro semestre deve apresentar um aumento no nível de preços em base anual maior, antes de iniciar um gradual declínio, em grande parte, dependendo do comportamento do núcleo da inflação em relação às pressões deflacionárias provenientes do abrandamento da atividade econômica, segundo os analistas.

Brasil

Enquanto isso, para o Brasil, os analistas esperam que a taxa de desemprego aumente 30 pontos-base, para 9,3% em abril. Se confirmado, isto colocaria o desemprego no mais alto nível em quase dois anos.

Embora a criação líquida de empregos formais tenha melhorado gradualmente em dezembro, ela ainda permanece abaixo do nível necessário para estabilizar o mercado de trabalho.

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