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A produção de petróleo na América Latina registrou um avanço significativo no primeiro trimestre de 2026 (1T26), consolidando a região como o principal pilar de crescimento da oferta mundial, segundo relatório do Goldman Sachs, divulgado nesta segunda-feira (11).
De acordo com o relatório, “no 1T26, a produção média de petróleo na região aumentou 10% na comparação anual para 10,3 mnbpd (milhões de barris por dia)”, um desempenho impulsionado majoritariamente pelo Brasil, que contribuiu com um adicional de cerca de 570 mil barris por dia (kbpd) em comparação ao ano anterior.
Esse avanço foi tão expressivo que, segundo os analistas, o continente foi o grande responsável por equilibrar a balança energética mundial fora do grupo dos países exportadores tradicionais. “Pelas nossas estimativas, a América Latina foi responsável por 76% do crescimento anual da produção fora da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) no 1T26”, afirma o documento.
Os analistas ressaltam que o Brasil foi o verdadeiro motor por trás desse resultado. Dos 960 kbpd de aumento total na região, o território brasileiro respondeu sozinho por 570 kbpd; o que representa cerca de 60% de todo o crescimento latino-americano.
Enquanto vizinhos como México e Colômbia ficaram estagnados, o salto brasileiro permitiu que a região compensasse quedas de oferta em outras partes do mundo. Esse dinamismo está diretamente ligado à rapidez com que novas plataformas entram em operação.

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A petroleira divulgou seu resultado na noite desta segunda-feira (11)

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“A produção média aumentou 2% em relação ao trimestre anterior, apoiada principalmente pelo Brasil e associada ao ramp-up (aceleração gradual) de FPSOs (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) recentemente inaugurados”, destaca o relatório.
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Para os próximos meses, a expectativa é que esse ritmo continue acelerado com a ajuda da Guiana e da Argentina. O crescimento combinado desses três países “deve mais do que compensar algum declínio na produção na Colômbia e produção estável no México”, segundo o Goldman Sachs.
Recomendações
Para facilitar o entendimento sobre onde investir no setor de petróleo, os analistas do Goldman destacam as empresas que mais devem lucrar com o avanço da produção no mar brasileiro, focando naquelas que possuem um forte pipeline.
A Petrobras (PETR3, PETR4) é vista como uma das grandes oportunidades de ganho, com uma projeção de expansão robusta para o curto prazo. “Prevemos entregar um crescimento sólido de produção nos próximos dois anos (+12%/+6% em 2026/2027)”, diz o relatório do Goldman Sachs.
Esse avanço será possível graças à entrada de novas plataformas, o que deve “mais do que compensar o declínio em outros ativos legados (campos de extração mais antigos que já produzem menos)”, segundo a instituição.
O banco também projeta um rendimento do dividendo muito alto, estimado em 16% e 13% na estimativa de 2026 e 2027, respectivamente. Eles reforçam que a próxima eleição presidenciais no Brasil pode ser um catalisador para o papel.
Os preços-alvo para daqui a um ano foram fixados em R$ 53,20 para as ações ordinárias (PETR3) e US$ 21,30 para os recibos de ações negociados em Nova York (NYSE: PBR).
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A Shell também aparece com destaque, sendo recomendada pela segurança de suas contas e pelo preço considerado atrativo em relação ao que ela produz. “O Brasil representa 20% do portfólio da Shell e é um contribuidor crescente, apoiado pela fase de aceleração de Mero 4 em 2026”, ressalta o documento.
O banco destaca que o seu valuation é interessante quando analisado pelo múltiplo de 5,3 vezes o múltiplo de EV/DACF (valor da empresa sobre o fluxo de caixa ajustado pela dívida), o que indica uma operação eficiente na geração de recursos.
Já a petroleira portuguesa Galp tem no Brasil o seu principal motor de crescimento para os próximos anos. Conforme os analistas, o Brasil representa 100% da produção esperada para 2026 da Galp. A previsão é que a empresa consiga extrair 30% a mais de petróleo em 2027 do que produzia em 2025, impulsionada pelo projeto do campo de Bacalhau.
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