Ambipar (AMBP3) sobe 18%, após virar durante sessão, apesar de dúvida sobre finanças

Companhia vem em série de eventos negativos, e ainda não está clara a razão da alta dos papeis; nos bastidores, fala-se de compra por parte dos controladores

Felipe Moreira Paulo Barros Camille Bocanegra

(Foto: Divulgação/Ambipar)
(Foto: Divulgação/Ambipar)

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Em uma sessão de alta volatilidade nesta sexta-feira (26), a Ambipar (AMBP3), abriu o dia em forte baixa, virou para alta e já se aproxima de apagar boa parte dos R$ 7,75 bilhões de perdas em valor de mercado registradas nos últimos dois dias.

As ações da companhia de gestão de resíduos chegaram a recuar 11,33% na abertura, a R$ 6,55, entrando em leilão. Por volta das 15h, o papel negociava com disparada de 26,67%, a R$ 9,50. No fechamento, o papel ganhou 18%, a R$ 8,85.

Nos bastidores, o mercado avalia a recuperação como resultado da compra de papeis por parte dos controladores da companhia. “Depois da queda relevante, a tesouraria parece estar comprando a ação, acreditando que o preço justo é maior. Mesmo com os problemas na justiça para pagamento da dívida”, avalia Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

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O InfoMoney entrou em contato com a Ambipar e aguarda resposta.

A queda tinha vindo a reboque a um movimento de aversão ao risco, que foi atenuada após a divulgação de dados de inflação dos Estados Unidos em linha com o esperado.

No entanto, a principal fonte do impasse persiste. A empresa vem de uma sucessão de eventos considerados negativos, desde a saída do diretor financeiro até o catalisador mais recente: a obtenção de liminar contra credores.

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Na véspera, os papéis despencaram 24%, após a Justiça conceder medida emergencial que protege a empresa de cobranças, em meio ao risco de colapso financeiro decorrente de uma operação com “títulos verdes” que teria gerado passivo de US$ 550 milhões.

No início da semana, a Ambipar anunciou a saída do CFO João de Arruda, substituído por Ricardo Garcia, que agora acumula também a diretoria de relações com investidores. No mesmo dia, o conselho aprovou a emissão de até R$ 3 bilhões em debêntures, com recursos destinados ao resgate antecipado de dívidas das 3ª e 6ª emissões e ao fortalecimento da estrutura de capital.

Para Max Mustrangi, CEO da Excellance e especialista em reestruturação de empresas, o pedido de recuperação judicial pela Ambipar é iminente. “As dívidas da Ambipar ficaram maiores nos últimos anos e mesmo com as ações em alta em 2024, os indicadores financeiros só pioraram”, avaliou. “É muito difícil que eles consigam colocar tanto dinheiro para cobrir esse rombo e se reestruturar sem que exista um pedido de execução de dívida. A RJ aqui é iminente e deve vir nos próximos meses”, analisa Mustrangi.

O UBS BB avaliou o pedido de proteção contra credores como negativo, somando-se às preocupações sobre a rotatividade na gestão e o nível de alavancagem da companhia. O banco destacou ainda que os anúncios geraram questionamentos por parte dos investidores, já sob investigação da CVM sobre recompra de ações.

“Esperamos que as prioridades da empresa no curto prazo sejam tranquilizar os acionistas institucionais e restaurar a visibilidade no médio prazo. Enquanto isso, mantemos nossa recomendação neutra para as ações”, afirmaram Giuliano Ajeje e Henrique Simoes.

O UBS BB manteve recomendação neutra para ações da Ambipar, com preço-alvo de R$ 12.