Ambev, Natura e Eletrobras avançam; CSN e Gerdau afundam após resultado

Confira os destaques da sessão desta quarta-feira

Publicidade

TIM (TIMP3, R$ 9,16, -5,18%)
A TIM teve lucro líquido de R$ 312,7 milhões no primeiro trimestre, queda de 16% na comparação anual. A média das estimativas de analistas apontava lucro de R$ 308 milhões. O resultado foi pressionado por despesas financeiras maiores (que subiram 38,9% ano a ano, a R$ 247 milhões) e um leve recuo da receita no período. A receita líquida total da TIM caiu 3,3% e encerrou o trimestre em R$ 4,5 bilhões. O Ebitda no período subiu 1,7%, a R$ 1,3 bilhão.

O presidente-executivo da companhia, Rodrigo Abreu, disse no relatório de resultados que apesar do cenário desafiador, a companhia continua a apresentar “sólida execução”. Abreu também mencionou os obstáculos de receita no curto-prazo, “como a nova rodada de redução da VU-M e a aceleração da queda de serviços de SMS, impactados pelo fenômeno global de uso de aplicativos de mensagem, que também traz impacto na utilização de voz na indústria em geral”.

Gerdau (GGBR4, R$ 10,29, -3,65%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,13, -2,88%)
A Gerdau teve queda de 39,3% no lucro líquido do primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, a R$ 267 milhões, divulgou nesta quarta-feira. O Ebitda da companhia totalizou R$ 1,089 bilhão no mesmo período, recuo de 8,9% na mesma base de comparação.

Segundo a Gerdau, a queda nas receitas deveu-se ao menor volume vendido, efeito que foi parcialmente compensado pela maior receita líquida por tonelada. O resultado financeiro líquido da siderúrgica nos três primeiros meses do ano ficou negativo em R$ 898 milhões, pressionado, sobretudo, pelo impacto da variação cambial no intervalo sobre a parcela da dívida que está denominada em moeda estrangeira, com efeito líquido negativo de R$ 651 milhões nessa linha.

Petrobras (PETR3, R$ 15,14, -3,32%; PETR4, R$ 13,88, -3,48%)
A Justiça Federal do Paraná autorizou a devolução de R$ 157 milhões à Petrobras dos recursos repatriados de contas no exterior do ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco, e sugeriu que pelo menos parte dos recursos seja utilizada para melhorar os controles internos da petroleira. Foram repatriados de contas de Barusco cerca de R$ 204,8 milhões, mas o Ministério Público pediu, e a Justiça acatou, que 80% deste montante fosse imediatamente devolvido à Petrobras.

Além disso, a companhia enviou comunicado ao mercado na noite desta de ontem e confirmou que irá apresentar seus números no dia 15 de maio, sexta-feira, após o fechamento da Bovespa. Com isso, a petrolífera informou que a partir de ontem até a divulgação do balanço ela estará em período de silêncio, quando não poderá prestar esclarecimentos ou comentar qualquer tipo de informação relacionada aos resultados do trimestre e perspectivas.

Continua depois da publicidade

Ambev (ABEV3, R$ 19,63, +0,10%)
A Ambev encerrou o primeiro trimestre de 2015 com lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, o que representa uma alta de 10,4% sobre o mesmo período do ano passado. Enquanto isso, a receita líquida da companhia avançou 19,1% nos três primeiros meses do ano, totalizando R$ 10,8 bilhões.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) da empresa ficou em R$ 5 bilhões no primeiro trimestre, um avanço de 25,2% em um ano. A margem Ebitda também subiu, passando de 44,8% para 47%. A companhia informou que sua geração operacional de caixa somou R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre, com aumento de 45,8% no comparativo anual, “como resultado, principalmente, de um forte desempenho operacional”.

Natura (NATU3, R$ 33,34, +3,38%)
As ações da Natura também disparam seguindo o movimento da véspera, chegando ao seu quarto pregão seguido de ganhos. O movimento ocorre em meio à balanço do primeiro trimestre bem recebido pelo mercado e notícia de a empresa vai aumentar os preços de algumas categorias de produtos. Hoje, em específico, operadores comentaram que a disparada deve-se a falta de aluguel do papel para “tomar “no BTC, enquanto a demanda segue aquecida, o que pode ter provocado a recompra das ações por parte de alguns vendidos, gerando uma força compradora na ação.

Continua depois da publicidade

Segundo Guilherme Belloni, da mesa de BTC da XP Investimentos, houve forte demanda ontem pelo aluguel do papel e hoje eles não conseguiram a ação para “tomar”. “Está bem difícil conseguir ‘doador’ (investidor que disponibiliza o papel para aluguel)”, comentou. Na segunda, o aluguel com ações da Natura bateu o número de 15.031.206, o maior desde agosto de 2014. 

Frigoríficos
A Marfrig (MRFG3, R$ 4,77, +0,63%) opera entre as maiores altas do Ibovespa, seguindo o movimento de ontem, quando subiu quase 10%. Fora do índice, os papéis da Minerva (BEEF3, R$ 9,30, -3,13%) também estendem os ganhos. No noticiário do setor, segue o anúncio do secretário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Dimarzio, de que o Brasil poderá dar início a venda de carne bovina in natura ainda este ano para os Estados Unidos. Em relação à China e Rússia, o ministério espera fazer mais visitas para alinhar possíveis acordos de fornecimento de carne, o que alavancaria mais o mercado de exportação de carne brasileira.

Elétricas

Continua depois da publicidade

Chegando na terceira alta consecutiva, chamam atenção as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 8,78, +4,65%; ELET6 R$ 10,63, +3,30%), Cemig (CMIG4 R$ 15,83, +3,67%) e Eletropaulo (ELPL4 R$ 12,56, +6,44%), que já atingem alta de até 20% na semana. No caso da Eletrobras, o que está ajudando as ações é o julgamento marcado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para 19 de maio sobre um possível voto abusivo da União na aprovação da renovação das concessões da estatal de energia em 2012, segundo analista da XP Investimentos, Celso Plácido.

Já para a Eletropaulo, está impulsionando os papéis a notícia de que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) propôs ontem que as contas de luz dos clientes da companhia, distribuidora que atende a cerca de 20 milhões de pessoas em São Paulo e cidades vizinhas, sejam reajustadas, em média, em 15,16%.

Por fim, impulsiona as ações da Cemig a confirmação de que a companhia irá pagar menos dividendos do que o previsto inicialmente. A empresa esclareceu que, embora seu estatuto social estabeleça que 50% do lucro líquido do exercício será distribuído como dividendo obrigatório, a assembleia geral de acionistas aprovou que seja pago apenas 25% do lucro, ou seja, R$ 797 milhões. Segundo a companhia, os valores que deixaram de ser distribuídos como dividendos obrigatórios, no montante de R$ 797 milhões, serão mantidos no patrimônio líquido, na conta de reserva de dividendos obrigatórios não distribuídos, para serem pagos “assim que a situação financeira da companhia o permitir”.

Continua depois da publicidade

CSN (CSNA3, R$ 8,91, -1,22%)
A CSN apresentou um lucro líquido de R$ 392 milhões no primeiro trimestre deste ano, contra R$ 55,3 milhões nos mesmos meses de 2014, ou seja, uma alta de 609%. Segundo a empresa, o principal motivo foi a linha de tributos sobre o resultado, que ficou positiva em R$ 502,5 milhões no trimestre, ante pagamento de R$ 27,2 milhões um ano antes.

Já a receita líquida ficou em R$ 4,01 bilhões no período, valor superior a estimativa compilada pela Bloomberg, que mostrava receita de R$ 3,73 bilhões. Já o Ebitda ajustado ficou em R$ 911 milhões. Além disso, as despesas com vendas subiram 58,4%, para R$ 300,8 milhões, e as gerais e administrativas avançaram 5,8%, para R$ 109,8 milhões.

Vale (VALE3, R$ 25,12, -7,17%; VALE5, R$ 19,36, -4,63%)
As ações da Vale viraram para queda, mesmo após os preços do minério de ferro no mercado à vista na China registrarem nesta quarta-feira a sua terceira alta consecutiva, superando o patamar de US$ 60 por tonelada, com siderúrgicas chinesas intensificando um movimento de recomposição de estoques. O minério de ferro para entrega imediata no porto de Tianjin porto subiu 1,7%, para US$ 60,10 a tonelada, de acordo com o The Steel Index.

O indicador já avançou 28,7% desde que atingiu US$ 46,70 em abril, o menor nível em pelo menos uma década. Já os contratos futuros do minério de ferro também subiram pelo terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira, em meio à menor disponibilidade de matéria-prima importada para siderúrgicas.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.