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O Goldman Sachs manteve recomendação de venda para as ações da Ambev (ABEV3), argumentando que o espaço para novos aumentos de preços deve se tornar mais limitado nos próximos trimestres, mesmo após um início de ano mais forte do que o esperado para a companhia.
A avaliação do banco leva em conta os dados mais recentes de inflação divulgados pelo IBGE. Em maio, o índice cheio acelerou 0,30 ponto percentual na comparação mensal, alcançando 4,6%, enquanto a inflação de cerveja — diretamente relacionada ao negócio da Ambev — apresentou desaceleração de 0,20 ponto percentual, para 3,8%. Para os analistas, esse movimento já indica um ambiente menos favorável para repasses adicionais de preços.
Segundo o Goldman, o caso positivo para a empresa ainda se sustenta no curto prazo, apoiado por dois fatores principais. O primeiro é o momento favorável de volumes, impulsionado por uma base de comparação mais fraca, especialmente em função de condições climáticas no ano anterior, além de eventos que tendem a estimular o consumo, como a Copa do Mundo nos próximos trimestres. O segundo é a força do portfólio, com a capacidade da companhia de avançar na estratégia de premiumização e extrair ganhos de preço.
No primeiro trimestre, a Ambev registrou crescimento de 8% na receita por litro na comparação anual. O Goldman Sachs estima, no entanto, que a maior parte desse avanço foi influenciada por fatores não recorrentes: entre 50% e 65% vieram do efeito de carregamento (carry-over) de reajustes anteriores, cerca de 25% refletiram melhorias no mix de produtos, enquanto apenas entre 1,2% e 2% decorreram de aumentos reais de preços implementados no período.
Na visão do banco, esse quadro deve mudar ao longo do ano. Com a dissipação do efeito de carry-over e a redução dos ganhos com mix — especialmente porque eventos como a Copa tendem a favorecer produtos mais acessíveis do portfólio —, os preços devem gradualmente convergir para o nível de inflação, limitando a expansão de receita por unidade.
Além disso, o Goldman ressalta sinais de fraqueza na demanda. Dados da consultoria Scanntech indicam que o volume de cerveja caiu cerca de 5% em abril na comparação anual, sugerindo que o consumo segue pressionado. Para os analistas, esse cenário reflete um consumidor com orçamento mais apertado, o que reduz a capacidade de absorver novos reajustes.
A combinação de inflação mais moderada para cerveja com demanda ainda fraca sugere que a categoria continua enfrentando dificuldades. “Os bolsos dos consumidores seguem pressionados e podem não oferecer espaço para novos ajustes de preços”, aponta o relatório.
Diante desse ambiente, o Goldman Sachs adota uma postura mais cautelosa em relação à tese de investimento da Ambev, avaliando que o equilíbrio entre preços e volumes tende a se tornar mais desafiador nos próximos trimestres — o que sustenta a recomendação de venda para as ações.
Cabe destacar que entregou no primeiro trimestre de 2026 (1T26) um dos resultados mais surpreendentes até então da temporada, fazendo com que as ações saltassem mais de 15% apenas na sessão pós-balanço, no dia 5 de maio.
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Contudo, analistas seguiram bastante cautelosos com os papéis: conforme compilação da LSEG, e 14 recomendações, 8 são de manutenção, 4 de venda e 2 apenas de compra. Para boa parte do mercado, mesmo com números bastante positivos, boa parte segue à espera de consistência nos números da companhia.
