Ambev e Coca-Cola juntas? Banco diz que fusão devia ser vista com urgência

Analistas do Brasil Plural apontam dois fatores importantes para que a AB Inbev se junte com a marca de refrigerante mais famosa do mundo

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SÃO PAULO – Avaliando que as gigantes do setor de bebidas – Anheuser-Busch Inbev, que detém a Ambev (ABEV3), Coca Cola e SABMiller – precisam de soluções que passam por fusões e aquisições para que elas passem a crescer, o Brasil Plural fez algumas considerações sobre o que elas podem fazer. O banco, aliás, deu uma sinalização que já foi aventada pelo mercado em abril deste ano: a fusão entre a Coca-Cola e a AB Inbev.

A segunda companhia, por sinal, é do trio de ferro brasileiro da 3G, formado por Jorge Paulo Lemann, Marcell Telles e Carlos Alberto Sicupira, que tem uma parceria com o bilionário investidor Warren Buffett, que possui uma participação na Coca-Cola. Aliás, em junho, o próprio Oráculo de Omaha “sepultou” a ideia de que ele e a 3G poderiam fazer uma oferta pela Coca, após uma possível especulação de um gestor americano em entrevista ao Fox Business. 

Em relatório assinado por Carlos Laboy e Catherine Foster, a AB Inbev precisa mitigar os efeitos da maturação dos seus mercados e consertar os elementos dos seus negócios. “Nós acreditamos que a ABI precisa de novos acordos para que ela volte a crescer”, avaliam os analistas, ressaltando a desaceleração do crescimento de suas marcas nos EUA e a desvantagem nos segmentos de distribuição. 

Para Laboy e Catherine, a fusão com a SABMiller seria o próximo negócio, mas na opinião deles, a junção com a Coca-Cola tem as melhores soluções. “Como a ABI proceder irá impactar a Ambev e a Coca”, afirma a dupla de analistas do Brasil Plural. Uma fusão “entre iguais” com a Coca-Cola seria muito mais benéfica à ABI do que uma fusão com a SABMiller.

Se a SAB não aceitar uma fusão agora e a ABI adquirir a Coca-Cola, apontam os analistas, a ABI terá os direitos da marca Coca-Cola em todos os mercados onde a SAB é engarrafadora da Coca, enquanto a ABI terá direito de veto sobre qualquer compra ou fusão que a SAB quiser fazer. Assim, para eles, a Coca e a ABI seriam a fusão com mais sentido. 

“A Coca Cola tem amplas oportunidades de crescimento a frente, mas não parece que ela a concretizará rápido o bastante […]. No coração dos problemas da Coca, ela precisa imprimir rapidez e eficiência no DNA de seus negócios”, afirma.

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Para eles, a ABI deveria buscar com urgência uma fusão com a Coca-Cola. Em primeiro lugar, a companhia de bebidas tem problemas operacionais na América do Norte e está resolvendo e, recentemente, a Coca aumentou sua fatia na Monster Beverage e passará a distribuir os seus produtos nos EUA. Isso deve gerar uma queda substancial na geração de caixa dos distribuidores independentes da ABI que vendem os produtos Monster quanto dos distribuidores que pertencem à ABI. 

“O mercado das grandes marcas de bebidas está declinando nos EUA e deve continuar a declinar nos próximos anos. Se a Coca-Cola e a MillerCoors conseguirem oferecer um serviço melhor em termos de distribuição e conquistarem mais espaço nas prateleiras, isso pode se tornar um problema para a ABI”, afirmam. 

Recomendação overweight para os ativos
Apesar de “pedir urgência” na fusão, o Brasil Plural iniciou a cobertura para as ações da  Ambev, atribuindo recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) à ação, como ainda calcula preço-alvo de R$ 19,40 para o papel – potencial de valorização de 19,38% em relação ao fechamento de 22 de agosto de 2014.

A instituição financeira afirma gostar da empresa por conta da sustentabilidade de seu crescimento na casa dos 10% no Brasil, o cenário de crescimento na América Central e no Caribe, a eficiência com que gera fluxo de caixa e sua liderança de mercado no Brasil e na Argentina.

Em relação ao crescimento da empresa, o Brasil Plural destaca áreas de crescimento orgânico para a distribuidora de bebidas. Um dos pontos positivos é a oportunidade de melhorar o caminho do setor de bebidas leves futuramente e o fato de que, comparando com outros mercados, as expectativas são de que a Ambev cresça por um longo caminho.

Os analistas ainda explicitam suas expectativas sobre os volumes da empresa: crescimento de volume de 5,5% para esse ano e de 3% para o ano que vem. “Mais tarde nesse ano, a Ambev precisa decidir se irá renovar as franquias da Pepsi no Brasil. Não ficaríamos surpresos se a Ambev desistir de uma renovação de contrato, particularmente levando em conta o quão bem sua própria marca está se saindo. A pressão está toda na PepsiCo para reter a Ambev”, relatam os especialistas.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.