AmBev confia em crescimento e não tem pressa para usar caixa

Aquisição de fatia em outra cervejaria da América Latina é apenas especulação, apontam diretores

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SÃO PAULO – Após divulgar lucro de R$ 1,510 bilhão no segundo trimestre de 2010, a AmBev (AMBV4) reuniu-se com analistas em teleconferência nesta quinta-feira (12) e destacou suas estratégias para manutenção do crescimento.

Mais por razões de mercado que por ligações com o Brasil, a AmBev lamentou a eliminação precoce do país na Copa do Mundo da África do Sul. Entretanto, os diretores descartaram maiores efeitos adversos e ressaltaram sua confiança em números ainda mais positivos.

Segundo o diretor financeiro, Nelson Jamel, o “crescimento orgânico do Ebitda (geração operacional de caixa) no segundo semestre deverá ser maior que o registrado no primeiro semestre”, quando a taxa foi de 4,7%.

Inovação em marketing
Com a liderança do mercado brasileiro de cervejas e participação de destaque em outras regiões, a companhia ressaltou o trabalho com suas principais marcas e embalagens dos produtos, além das campanhas de marketing ligadas ao mundial de futebol.

João Castro Neves, CEO (Chief Executive Officer) da AmBev, destacou também as iniciativas da empresa em outros mercados, como a consolidação de produtos de maior valor na Argentina.

Quando indagado sobre a competição mais acirrada e as margens mais apertadas no segmento de refrigerantes e bebidas não-alcoólicas, o executivo afirmou que “seremos racionais, mas se for preciso ser mais agressivos, nós seremos”.

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Parcimônia
À vontade em relação aos recursos que possuem em caixa, os diretores afirmaram ter “um bom problema” , mas que se recusam a se estender no assunto. De toda forma, o resultado trouxe a notícia de que foi sugerida ao conselho da empresa a distribuição de R$ 2 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio.

O emprego dos recursos dependerá das alternativas, que atualmente podem alimentar o elevado investimento da empresa, que no entanto deixa as portas abertas para aquisições.

Entretanto, os executivos fizeram questão de deixar de descartar a informação sobre a aquisição de uma participação minoritária em outra cervejaria. “A possibilidade é especulação. Na melhor hipótese, nós compraríamos uma fatia sem o controle, para adquirir o controle posteriormente”, disse João Castro Neves.

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Efeito Chávez
Com presença ampla na América Latina, a AmBev fica sujeita a instabilidades políticas ou jurídicas, na visão de alguns analistas. No centro das atenções no continente neste quesito está a Venezuela – segundo o CEO, país onde o segundo trimestre foi especialmente difícil para a AmBev. Segundo Castro Neves, qualquer estratégia de saída do país não será feita do dia para noite. “Nos próximos seis meses ou um ano, nós não temos uma definição”.