Ambev: ação salta 15,30% após 1T e tem 2ª maior alta da sua história: o que explica?

Segmento de cerveja no Brasil foi o principal destaque do trimestre, com desempenho sólido em termos relativos frente a pares e expectativas do mercado

Felipe Moreira

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A cervejaria Ambev (ABEV3) divulgou na manhã desta terça-feira lucro líquido de R$ 3,885,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), montante 2,1% superior ao reportado no mesmo intervalo de 2025. As ações da companhia subiram 15,3%, cotadas a R$ 16,65, máxima de fechamento desde 2018. Foi também a segunda maior alta em um dia, considerando o fechamento, desde a criação da companhia em 1999.

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A XP Investimentos ressalta que o segmento de cerveja no Brasil foi o principal destaque do trimestre, com desempenho sólido em termos relativos frente a pares e expectativas do mercado, superando suas próprias estimativas e compensando resultados mais fracos em outras operações.

Segundo a casa, os volumes cresceram 1,2% na comparação anual, atingindo um recorde para primeiros trimestres e indicando ganho de participação no sell-in. O resultado também ficou acima das projeções da XP e do consenso de mercado, que, na avaliação da instituição, esperava retração entre 1% e 2%.

A receita líquida por hectolitro avançou 8,3% na base anual, também acima das estimativas da XP, refletindo iniciativas de gestão de receita e melhora no mix de produtos. A instituição avalia que o desempenho deve superar o consenso e levar a revisões positivas.

A XP também ressaltou que a administração reportou crescimento na casa dos 20% nos segmentos premium e super premium, parcialmente compensado por queda de um dígito baixo nas categorias core e value.

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Mesmo nas operações que ainda enfrentam ambientes de indústria desafiadores (notadamente Canadá e LAS) a XP disse ver pontos positivos. A companhia conseguiu expandir margens nessas geografias, enquanto o setup parece assimetricamente inclinado para o upside entrando no T2, com a Copa do Mundo como vento favorável de curto prazo.

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Na avaliação da Ativa Investimentos, a cervejaria apresentou um resultado positivo pelo lado da rentabilidade, apesar da receita fraca, em linha com o esperado, com a maior parte dos mercados em queda devido ao momento fraco da indústria, enquanto apenas Cervejas Brasil apresentou ligeira alta.

O Bradesco BBI avalia que, pela primeira vez em um longo período, os resultados do trimestre devem levar a revisões positivas nas estimativas de lucro da Ambev. Segundo a análise, o banco vinha questionando o desempenho da receita líquida da divisão de cervejas no Brasil, diante da falta de crescimento consistente em volume e preços, o que limitava o potencial de valorização da companhia em meio a um ambiente competitivo mais desafiador. Esse cenário era agravado pela maior exposição da Ambev ao segmento de cervejas tradicionais, que enfrenta tendência de queda.

No entanto, no 1T26, houve uma inflexão relevante. Os volumes cresceram mesmo com bases comparativas mais exigentes, enquanto os preços foram ajustados sem perda de participação de mercado. Para o BBI, isso indica um fortalecimento do portfólio da companhia no Brasil, no melhor nível em anos.

O Itaú BBA, por sua vez, atribui o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) acima do esperado a dinâmica de receita mais forte do que o esperado no segmento de cervejas no Brasil. No entanto, o banco vê pouco espaço para discussões mais amplas além de reconhecer um sólido ponto de partida para o ano, que deve ganhar ainda mais força ao longo do 2T26 e 3T26.

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Recomendação neutra para Ambev

Apesar da leitura mais construtiva para o curto prazo, o Bradesco BBI manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 14, citando preocupações com o prêmio de valuation frente a pares globais e com a sustentabilidade do crescimento de volumes no Brasil a partir de 2027. Ainda assim, a expectativa é de reação positiva do mercado aos resultados recentes.

O Itaú BBA reitera recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17.