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As farmacêuticas Eisai e Biogen anunciaram, nesta quinta-feira, o início da disponibilidade comercial no país do medicamento Leqembi (lecanemabe), destinado a pacientes em fase inicial do Alzheimer. O remédio, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro do ano passado, faz parte da nova geração de anticorpos que conseguem reduzir, de forma modesta, o ritmo do declínio cognitivo da doença, embora não consigam interrompê-lo ou revertê-lo.
Em nota, o diretor médico da Eisai, Rodrigo Nascimento, disse que o lançamento no Brasil “representa um marco importante na ampliação do acesso a opções de tratamento inovadoras para pessoas que vivem com doença de Alzheimer”.
O tratamento é realizado via infusões intravenosas, a cada duas semanas, administradas exclusivamente em hospitais ou centros especializados por cerca de uma hora. Logo, não estará disponível para a compra pelo público geral em farmácias de varejo comuns.
Segundo definição da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável pela definição dos preços dos remédios no Brasil, o frasco do Leqembi pode chegar a um preço máximo de R$ 4.212,44 para a versão de 5mL com concentração de 100 mg/mL, considerando uma alíquota estadual máxima de 23% de ICMS.
A dose recomendada pela Anvisa do tratamento é de 10 mg/kg uma vez a cada duas semanas, ou seja, o custo médio do tratamento começa em valores superiores a R$ 8,5 mil por mês para um paciente que pese mais de 50 kg. Além disso, pelos custos de acompanhamento e administração, o valor praticado pelas clínicas deverá ser maior, como já é feito com outros medicamentos semelhantes.
O Leqembi recebeu o sinal verde para o tratamento de pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve e demência leve devido à doença de Alzheimer, ou seja, na fase inicial da doença. Para isso, o indivíduo precisa ter a formação das placas de proteína amiloide no cérebro, patologia ligada ao Alzheimer e alvo do remédio, confirmada por testes. Além disso, o paciente não pode carregar a mutação no gene APOE-e4, que aumenta o risco de Alzheimer, mas também eleva a chance de efeitos colaterais graves do medicamento.
O Leqembi é um anticorpo monoclonal antiamiloide, assim como o Kisunla (donanemabe), remédio da Eli Lilly aprovado no Brasil em abril de 2025 também para estágio inicial de Alzheimer. Ambos são os primeiros a de fato modificarem a evolução da doença. Os medicamentos atuam se ligando e eliminando as placas da proteína amiloide que se formam ao redor dos neurônios de pessoas com a doença.
Nos estudos clínicos, o tratamento com o Leqembi foi realizado por um período de 18 meses e, ao final, foi observada uma diminuição no ritmo da perda cognitiva dos pacientes de 27%. Quando os dados da pesquisa foram publicados, em 2022, foi a primeira vez que um medicamento conseguiu de fato interferir na doença.
Já o Kisunla demonstrou um efeito maior: os pacientes apresentaram uma progressão clínica até 35% menor ao longo dos testes, que também duraram 18 meses, o que correspondeu a um atraso de 4,4 meses no declínio cognitivo. De modo geral, houve uma redução de 37% no risco de progredir para a próxima fase da doença no período.
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No entanto, além dos benefícios das medicações serem modestos, outros fatores que dificultam a adesão aos fármacos são os preços elevados e o risco de efeitos colaterais graves. O Kinsula, que já é encontrado em alguns laboratórios e hospitais do país, tem sido vendido a cerca de 24 mil reais por mês considerando todos os gastos do tratamento, ou seja, mais de 200 mil por ano.
Além disso, ambos precisam ser indicados e administrados por profissionais especializados e com acompanhamento rigoroso para evitar os riscos de efeitos colaterais. Reações comuns observadas nos estudos foram hemorragias no cérebro, problemas ligados à infusão e dores de cabeça. Em alguns casos, ocorreram edemas no órgão que podem ser graves e fatais.

