MERCADOS AO VIVO Ação da Blau Farmacêutica (BLAU3) estreia na B3 próxima à estabilidade

Ação da Blau Farmacêutica (BLAU3) estreia na B3 próxima à estabilidade

Altas e baixas fortes poderão ser observadas no Ibovespa na próxima semana

Com os problemas na economia dos Estados Unidos e Europa sem soluções definitivas, volatilidade deve permanecer acentuada

SÃO PAULO – “Estamos presos aos fatos que acontecem a cada segundo”. A frase do sócio-diretor da Título Corretora, Marcio Cardoso, demonstra o sentimento do mercado durante essa semana, em que a volatilidade das bolsas mundiais fizeram com que os investidores perdessem a conta da quantidade de vezes que os índices inverteram em um mesmo dia.

O ponto crucial desta instabilidade aconteceu nesta sexta-feira (5), quando o índice Ibovespa, seguindo na esteira das bolsas norte-americanas, chegou a cair mais de 3%, depois atingiu alta de até 2% e fechou quase instável, com avanço tímido de 0,26%, a 52.949 pontos

Nos Estados Unidos, os índices também oscilaram diversas vezes durante o dia e fecharam sem rumo definido. No final da sessão, apenas o Dow Jones conseguiu sustentar alta de 0,54%, a 11.445 pontos. Contudo, a semana por lá foi marcada por superações negativas. Na quinta-feira (4), no auge no nervosismo do mercado, quando os índices finalizaram com quedas superiores a 4% nos EUA, o Dow Jones registrou a maior queda diária desde dezembro de 2008

Já na sexta-feira, a volatilidade permaneceu no mercado e o resultado foi que o índice Dow Jones acumulou perdas de 5,75% entre os dias 1 e 5 de agosto, sua maior queda desde março de 2009. Já o Nasdaq e o S&P 500 recuaram 8,13% e 7,19% no mesmo período, respectivamente, sendo suas piores semanas desde novembro de 2008. Por aqui, o Ibovespa perdeu quase 10% na semana, seguindo na esteira das incertezas no mercado externo.

A causa: economia mundial
Os fatores que levaram a esse mercado “nervoso e volátil”, na opinião de Cardoso, foram os temores dos investidores sobre a capacidade da recuperação da economia mundial, refletindo a fragilidade da maior potência econômica global, os Estados Unidos.

“Com a aprovação de novos pacotes de endividamento nos EUA, está prevista uma redução de despesas elevada para os proximos 10 anos. A ideia é que o mundo vai crescer menos e consumir menos. Por aí, todo mundo tem na cabeça o que aconteceu em 2008 e em 2010. Com a velocidade com que a informação chega, a atitude de se desfazer de condições de maior risco é muito maior. O mercado é sensível e ficou mais nervoso do que nunca, acambando com essa derrubada forte lá fora e forte aqui”, explica o analista. 

Europa volta ao foco
A Europa, onde a situação fiscal havia ficado em segundo plano diante da apreensão do mercado, que aguardava a definição sobre o teto da dívida norte-americana no início da semana, volta à tona nos últimos dias da semana, com os temores diante da extensão da crise dos países periféricos, para a Itália e Espanha, tomando maiores proporções sobre as consequências se esses países deixarem de honrar as suas dívidas. 

“O mercado vinha na esteira da decisão sobre o teto da dívida norte-americana e, no momento que isso foi definido, voltaram-se as atenções para que o antes já era comentado. O tamanho da dívida a vencer na Espanha e Itália nos próximos meses é de um montante elevado, com os bancos tendo uma quantidade grande de empréstimos e  financiamentos que vão chamar uma quantidade grande de capital”, completa Cardoso.

Volatilidade e mais volatilidade
Com nada definitivamente resolvido sobre a economia norte-americana e situação fiscal na Europa nesta semana, a tendência, na opinião do analista Gregório Matias, da PAX Corretora, é que as atenções continuem voltadas para essas negociações.  “O mercado vai acompanhar, de agora para frente, as consequências que essas decisões sobre redução de gastos nos Estados Unidos poderão trazer para a economia mundial”, explica.

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Diante disso, a volatilidade deve persistir na sessão. “Não acho que essa volatilidade se discipa rapidamente. Vamos continuar vendo movimento errático de mercado. Altas e baixas fortes mais a frente”, afirma Cardoso. 

Agenda econômica: termômetro da economia
Nesta semana, os indicares econômicos tiveram pouco relevância para o desempenho do mercado, tendo como principal destaque o Relatório de Emprego, divulgado na sexta-feira. O resultado acima do esperado trouxe certo alívo do mercado na sessão.

Para a próxima sesmana, os investidores ficarão atentos a importantes indicadores, com destaque para a produção industrial na China, que será divulgada na segunda-feira (8) e a ata do Fomc (Former Open Market Committee), na terça, que trará importantes indicadores sobre o desempenho da economia nos Estados Unidos. Além disso, o Initial Claims, divulgado na quinta-feira, e a confiança dos consumidores em Michigan, na sexta, poderão, na opinião de Cardoso, interferir significantemente nos resultados dos mercados.

Por aqui, o destaque fica por conta do Relatório Focus, na segunda, que deverá trazer um panorama do desempenho da economia no País. “Os números são importantes de serem acompanhados, mas não podemos deixar de levar em consideração, no entanto, o que aconteceu nos EUA. O engessamento que a economia passou por causa do aumento do teto da dívida, fez com que varias empresas deixassem de contratar, de investir, postergasse qualquer tipo de investimento. Isso acaba refletindo em alguns índices, mas isso não significas que houve uma parada”, analisa. 

Nesse mesmo sentido, os balanços corporativos previstos para a semana devem continuar sendo observados com atenção pelo mercado. “Sempre é importante olhar os resultados, principalmente porque o melhor momento para entrar na bolsa é quando temos vendedor. Para quem é investidor e pretende fazer investimento de longo prazo, esse movimento que estamos acompanhando é uma boa oportunidade. Dito isso, não faço a menor idea se vai ter um Tsunami em algum lugar do mundo e junto com ele venha mais pânico. É preciso acompanhar o mercado dia-a-dia”, conclui Cardoso.