Altas da Selic encarecem operações de descontos de duplicatas, diz BC

Taxa anual de juros da modalidade de crédito subiu 3,7 pontos percentuais em um ano; inadimplência também cresceu

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SÃO PAULO – Considerado um dos mecanismos menos burocráticos e mais baratos para a obtenção de crédito empresarial junto ao mercado financeiro, os descontos de duplicatas estão com juros cada vez maiores, o que tem prejudicado o fluxo de caixa das pequenas empresas, segmento que mais utiliza esta modalidade de empréstimo.

De acordo com dados do Banco Central, a média anual de juros cobrados nesta operação era de 40,17% em março de 2004, nível que subiu para 43,87% no mesmo mês deste ano.

A grande responsável pelo encarecimento dos descontos de duplicatas é a taxa básica de juros da economia no patamar de 19,75% ao ano, após nove altas consecutivas. Como esta modalidade de empréstimo tem prazo curto de quitação, geralmente abaixo de 90 dias, apresenta-se mais influenciável à variação da taxa de referência.

Apesar dos juros, demanda em alta

A liberação de recursos por meio de descontos de duplicatas chegou a R$ 7,1 bilhões em março, atingindo uma média diária de R$ 324 milhões.

Procurada pelos pequenos e médios empresários em tempos de retração econômica, como forma de ampliar o capital de giro dos negócios, esta modalidade de crédito continua registrando alta procura, mesmo com os juros em níveis mais elevados.

A combinação de maiores encargos e necessidade premente de descontar as duplicatas têm feito a inadimplência da linha de crédito crescer. No último mês de março, os débitos com mais de 90 dias de atraso somavam R$ 355 milhões; um ano antes, esta dívida estava em R$ 249 milhões.

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Vale dizer que as operações de descontos de duplicatas possibilitam a troca de ativos por liquidez, ou seja, a substituição das duplicadas da empresa por dinheiro.