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SÃO PAULO – Altamente vulnerável, o Brasil é o País que mais sofrerá com a fuga de capitais estrangeiros, disse o portal norte-americano CNBC, nesta sexta-feira (14). O País também pode sofrer com um período prolongado de desvalorização cambial. A saída de capital já começou: foram retirados US$ 5 bilhões de fundos de ações em países emergentes e US$ 1,5 bilhão de fundos em títulos desses mesmos países, destacou a consultoria EPFR.
Isso ajuda o Brasil a ser um dos mais vulneráveis, juntamente com Mexico, África do Sul, Turquia e Ucrânia, na opinião do Morgan Stanley. O País tem grandes sinais de vulnerabilidade: substanciais níveis de crédito doméstico, uma relação entre empréstimos e poupança muito alta e superávit primário decrescente.
“Bancos brasileiros e corporações foram as que mais se beneficiaram pela entrada de capital. Assim, uma redução imediata teria um grande impacto nos setores com alta alavancagem”, alerta o Morgan Stanley, chamando a atenção para o setor de mineração e siderurgia.
O câmbio também preocupa – principalmente pelo atual cenário de fragilidade monetária – com o real cada vez mais fraco perante o dólar. “A maior parte dos emergentes devem tolerar a venda de suas moedas, e em alguns países isso deve até ser bem-vindo. Mas há exceções, e as preocupações com inflação devem manter os políticos pressionados no Brasil e na Índia”, destaca Michael Henderson, da Capital Economics.
Economia passa por problemas
O Morgan Stanley lembra que a inflação no Brasil tem duas causas: a primeira é a alta do preço dos alimentos, fruto de problemas na demanda e oferta – o que tende a ser normalizada. O problema reside mesmo nas dinâmicas salariais do País, o que precisaria de uma desaceleração mais acentuada no ritmo da economia para que a inflação fosse eliminada.
Há um outro problema: a perda de competitividade da indústria nacional – já que os produtos latino-americanos tiveram um aumento de 25% em custos desde 2004, já postos em dólar, contra alta de 5% dos produtos chineses no mesmo período. “A região emergente que sofreu a maior perda de competitividade é a América Latina”, destaca a Capital Economics.
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Por conta disso, o Morgan Stanley está “underweight” (com exposição abaixo da média) em ações no Brasil – recomendando que seus clientes também o façam. “Nossa visão de longo prazo sugere que haverá uma desaceleração estrutural no crescimento de emergentes, já que as políticas anticíclicas não surtiram efeito e economia está fraca. Além disso, o Fed pode começar a retirar os estímulos, o que poderia ser um catalisador de uma política mais prudente dos emergentes”, alerta.