Alta recente das bolsas não comove expectativas do BoA Merrill Lynch para 2009

Analistas ainda esperam nível elevado de volatilidade ao longo do ano, preferindo blue chips para enfrentar correções

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SÃO PAULO – Mesmo enaltecendo a resistência do mercado em não se entregar a um processo intenso de realização de lucros, analistas do Bank of America Merrill Lynch estão relutantes em mexer nas perspectivas traçadas para o ano. Classificam 2009 como um período de transição, com contornos mais conservadores.

Antes da queda na segunda-feira (6), o Ibovespa acumulou fortes ganhos nas últimas quatro semanas, alcançando o maior patamar em seis meses. Neste intervalo em Nova York, o índice Dow Jones viveu seu melhor rali desde maio de 1933. Agora a equipe do banco norte-americano pede atenção à possibilidade de correções.

“Acreditamos que o mercado começou um processo de ajuste em outubro e isso vai levar tempo, medido em meses, vai requerer paciência, e possivelmente irá envolver disparadas excitantes que são seguidas por múltiplos testes de baixa”, lembra a instituição financeira em relatório.

Conservadorismo

A hipótese do BoA Merrill Lynch considera um elevado nível de volatilidade, esticando os níveis recordes de turbulência atingidos ao final de 2008. Para os analistas, diante de sinais importantes de tendência negativa ainda em evidência, o chamado “bear market” iniciado em outubro de 2007 permanece intacto.

Neste panorama, prevalece na análise do banco o lema “quanto maior, melhor”. Notadamente voltado às ações consideradas large caps, destaca também aquelas famosas por uma política atraente de distribuição de proventos. Por setores, prefere: bens de consumo, telecomunicações, energia e saneamento.

Outro ponto relevante das premissas da instituição é o início da melhora do cenário para as produtoras de matérias-primas em 2009. “A economia chinesa é o grande driver aos preços de commodities. O principal índice da bolsa da China tem vivenciado uma retomada desde o fundo do poço em 2008, mas pode sofrer resistência no curto prazo.”