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SÃO PAULO – Avaliando os dados de estoques e carregamentos de celulose de fevereiro, os analistas do JPMorgan e do Morgan Stanley traçaram diferentes cenários para a commodity.
De acordo com relatório do JPMorgan, os estoques de celulose aumentaram para 34 dias em fevereiro, um pouco acima do nível considerado como “equilibrado”. Por outro lado, as entregas referentes ao mês de fevereiro foram 4% menores do que as de janeiro, con declínio significante na China (-9%, na comparação anual) e na América do Norte (-10%, na mesma base).
Na visão de Debbie Bobovnikova e Lucas Ferreira, analistas do banco, a Europa aparece melhor posicionada, apoiada por um forte poder de compra, dado o fortalecimento do euro frente às moedas globais. Ainda assim, a expectativa é de leve queda na demanda pela commodity devido a mudanças estruturais nos EUA e na Europa.
Melhor cenário
A visão, contudo, não é unânime. Na leitura de Carlos de Alba, Bruno Montanari e Alfonso H. Salazar, analistas do Morgan Stanley, o enfraquecimento do dólar perante às demais divisas e paradas na produção devido à manutenção devem sustentar o preço da celulose até o terceiro trimestre do ano.
E, ao contrário do que espera o JP Morgan, os analistas do Morgan Stanley apostam na continuidade de uma demanda forte. “As perspectivas para o mercado global de celulose melhoraram, já que a maior oferta vinda de fábricas novas e em reinício de produção foi menor do que o esperado”, diz o banco.
Nessa onde de otimismo, os analistas elevaram as estimativas de preços para a celulose brasileira, que é a Brazilian Eucalyptus Kraft Pulp (BEKP) para US$ 888 por tonelada, o que representa um aumento de 10% frente à última previsão. Para a celulose Northern Bleached Softwood Kraft (NBSK), a estimativa de preço também subiu 10%, indo para US$ 1,007 por tonelada.
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Impactos nas ações
Apesar da elevação nas projeções para preços, os analistas do Morgan Stanley acreditam que o impacto sobre as ações será limitado, uma vez que os papéis das empresas do setor são negociados a múltiplos caros. Além disso, o otimismo com os preços da celulose se restringe ao curto e médio prazo – já que, para 2012 e mesmo o final deste ao, a expectativa é que os preços da commodity voltem a declinar.
Para o JP Morgan, a Duratex (DTEX3) é o nome preferido no setor florestal. Segundo o banco, a empresa pode se aproveitar do bom momento da demanda brasileira, já que sua exposição ao setor de consumo e construção civil é grande. Diante da perspectiva de que o Banco Central não deverá estender o ciclo de aperto monetário no País (a expectativa do banco é que o ciclo acabe em junho), as ações da empresa terão espaço para valorizações.
No setor de papel e celulose, apesar de manter uma posição mais cautelosa devido à força do câmbio, os analistas listam a Suzano (SUZB5) como preferida sobre Fibria (FIBR3), em função do valuation e da alavancagem da companhia. A primeira, portanto, aparece com recomendação overweight (peso acima da média do mercado), enquanto a última aparece com recomendação neutra.
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Na leitura do Morgan Stanley, a Suzano pode se aproveitar desse bom momento dos preços – assim, a empresa recebe recomendação “equal-weight” (desempenho em linha com o mercado), e teve seu preço-alvo aumentado de R$ 15,60 para R$ 15,80 – um upside de 4,05% em relação ao último fechamento. Já a Fibria deve sofrer com aumento nos custos de produção e um fluxo de caixa menor, ofuscando os possíveis ganhos com a alta das commodities.