Alta dos combustíveis no radar? Morgan Stanley eleva preço-alvo da Petrobras após 4T

Recomendação segue de compra, enquanto preço-alvo para o ADR foi de US$ 17,50 para US$ 20

Lara Rizério

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Sede da Petrobras - 
16/10/2019 (Foto: 
REUTERS/Sergio Moraes)
Sede da Petrobras - 16/10/2019 (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

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A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) e, em teleconferência de balanços, o tema de reajuste dos preços dos combustíveis em meio ao recente salto dos preços do petróleo dominou a pauta.

A visão é de que a política de preços dos combustíveis permanece inalterada, considerando a paridade internacional, a participação de mercado, enquanto a companhia sinalizou evitar volatilidade doméstica desnecessária.

É importante ressaltar que a política funciona em todo o espectro de preços do petróleo — não importa o quão altos ou baixos estejam.

Viva do lucro de grandes empresas

A companhia observou em teleconferência que, se os aumentos dos preços internacionais se intensificarem, a empresa repassará o impacto mais rapidamente do que em um cenário de preços mais suaves.

Neste cenário, o Morgan Stanley elevou o preço-alvo para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) PBR (equivalentes aos ordinários), passando de US$ 17,50 para US$ 20. A recomendação é overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).

O banco aponta que a geração de caixa sustentável em cenários de preços mais altos do petróleo levaria a potenciais dividendos extraordinários, avaliados juntamente com a atualização do plano de negócios.

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Um ambiente de preços mais altos do petróleo proporcionaria um rendimento de fluxo de caixa livre atrativo e dividendos robustos.

O banco fez análise de sensibilidade do rendimento para 2026 sob o Brent a US$ 85–95/barril, considerando: (1) repasse versus preços estáveis ​​do combustível doméstico e (2) pagamento versus não pagamento de dividendos extraordinários (com um saldo mínimo de caixa conservador de US$ 10 bilhões).

Atualizando o modelo após o 4º trimestre de 2025, o banco elevou a sua estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026 em 9,2% e para 2027 em 5,5%.

“Alinhamos nossa curva do Brent a uma média recente da curva futura, evitando a precificação spot imediata devido à volatilidade, aumentando as estimativas para 2026–2027 em 10,5% e 5,7%. Também elevamos as estimativas de produção para 2027-2028 em 0,5–0,7% com base no desempenho operacional recente”, apontou.

Por fim, elevou o capex em 3,6% em 2027 e 1,5% em 2028, à medida que a Petrobras acelera a entrada em operação de FPSOs (plataformas) com novas conexões de poços nesse período.

O Morgan argumenta que a tese de investimento na Petrobras continua centrado na remuneração dos acionistas, que — para o bem ou para o mal — está diretamente ligada à alocação de capital e ao nível dos preços do petróleo.

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“Os fluxos de caixa são resilientes e podem suportar preços baixos do petróleo. Confiamos na capacidade da empresa de pagar um rendimento atrativo sobre seus dividendos base e vemos boas opções para dividendos extraordinários caso os preços do petróleo permaneçam altos por mais tempo e o repasse do combustível ocorra em tempo hábil”, avalia o Morgan.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.