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SÃO PAULO – A alta do dólar tem gerado dúvida nos consumidores, principalmente, em relação a quanto esse cenário pode influenciar nos preços dos produtos.
De acordo com economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz, o reflexo da alta do dólar nos preços para o consumidor depende da forma que a alta acontece. “A alta do dólar impacta mais quando essa elevação fica em altos patamares por muito tempo. Neste caso, a probabilidade de repasse é maior. Porém, quando existem flutuações temporárias, os preços não se alteram”, explica.
Grãos
Segundo a assessora econômica da Fecomercio (Federação do Comércio do estado de São Paulo), Julia Ximenes, como a produção de trigo brasileira é para uso de ração animal, o grão utilizado para fazer os pães é importado, porém, a alta do dólar não deve impactar os preços do produto de forma significativa. “A alta do dólar vai trazer aumento para o produtor, o que pode chegar até o consumidor”, explica.
Segundo ela, além do dólar, as condições climáticas, que, de acordo com a assessora, afetaram a produção argentina, são fundamentais para a formação do preço. “Dependendo da situação do câmbio, além das condições climáticas, de dois a três meses será possível perceber o preço mais elevado”, completa, afirmando que “outros produtos, como leite e derivados, utilizados na fabricação do pão também devem impactar no preço, já que esses itens estão com tendência de alta”.
Para Braz, o consumidor pode não sentir diferença acentuada no preço dos grãos. “Commodities agrícolas, como milho, soja e trigo, estão com maior oferta no mercado, o que faz com que o preço caia no mercado internacional. Dessa forma, o Brasil vai encontrar preços mais competitivos, o que fará que para o consumidor o repasse seja mais discreto”, explica.
Carnes
No caso das proteínas bovinas, o impacto da alta do dólar deve ser consequência do aumento no preço das rações, tornando os custos produtivos mais altos.
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Segundo Julia, no Brasil os consumidores não terão de se preocupar com o preço da carne, embora a seca tenha resultado em perda de gado. “O maior problema enfrentado pelos produtores de carne é a suspeita de febre aftosa no Paraguai, que, se for perpetuada, deve afetar o mercado brasileiro”, explica.
De acordo com a assessora, caso seja confirmada a febre aftosa no Paraguai, o Brasil também poderá sofrer restrições internacionais. “O governo brasileiro já está tentando barrar uma possível contaminação”, completa.
Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar faz com que o Brasil perca competitividade na hora de exportar. Com esse cenário, Julia explica que haverá mais carne no mercado interno, fazendo com que a alta do dólar não influencie no bolso do consumidor.
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Natal
De acordo com o economista, os produtos natalinos não devem sofrer influência de forma acentuada, pois “produtos importados para o período foram trazidos com uma taxa de câmbio menor, por isso, o consumidor não deve sentir diferença”.
Braz também aconselha que o consumidor pode optar por produtos produzidos no Brasil. “Existem substitutos nacionais, como vinhos, além das frutas da época”, afirma.