Alta do dólar não impede desaceleração da inflação

Os índices de inflação brasileiros já começam a indicar a desaceleração dos reajustes de preços, após meses de altas contínuas. Apesar das pressões da alta do dólar, as elevadas taxas de juros, o crescimento econômico abaixo das previsões iniciais e o fim do período de ajuste dos preços públicos devem manter os preços controlados. As […]

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Os índices de inflação brasileiros já começam a indicar a desaceleração dos reajustes de preços, após meses de altas contínuas. Apesar das pressões da alta do dólar, as elevadas taxas de juros, o crescimento econômico abaixo das previsões iniciais e o fim do período de ajuste dos preços públicos devem manter os preços controlados. As expectativas são de que a inflação continue a diminuir o ritmo de alta nos últimos meses de 2001.

Passada a pressão inflacionária gerada pelos reajustes dos preços administrados, como energia elétrica, telefonia, transportes, combustíveis etc, os índices de inflação já apresentam claros sinais de desaceleração. Neste ano, estes reajustes se concentraram durante os meses de junho, julho e agosto e fizeram com que os índices de inflação nestes meses registrassem as maiores variações positivas até agora em 2001.

Quanto ao dólar, o que se verificou neste ano foi uma forte alta da moeda norte-americana frente ao real, que já supera 40% em 2001, o que tem um forte poder inflacionário já que muitos componentes, insumos e bens consumidos no Brasil são importados. Contudo, outros fatores contribuíram para que o efeito fosse menor sobre os preços, como as maiores taxas de juros e o crescimento mais lento da economia.

Neste ano, o Banco Central promoveu cinco aumentos nos juros, causando uma elevação de 3,75 pontos percentuais em relação à Selic de fevereiro, que era de 15,25% ao ano. Atualmente, a taxa básica de juros está em 19% ao ano. Além deste fator, a desaceleração econômica mundial e as crises energéticas e da Argentina contribuíram para que as expectativas de crescimento econômico fossem revistas pelo BC. No início do ano o consenso indicava que a economia brasileira registraria uma expansão de 4%, contudo, o presidente do BC, Arminio Fraga, já estima que o crescimento do PIB em 2001 seja na faixa entre 1,5% e 2%.

Diante desta conjuntura, o repasse dos aumentos dos custos aos preços é bastante limitado. Em função destes fatores, as expectativas do mercado indicam que até o final do ano a inflação deve subir menos do que as taxas registradas nos últimos meses.

Índice Acumulado Ano Expectativa 2001
IPCA +5,06% +6,65%
INPC +5,79% +6,88%
IGP-M +7,35% +9,25%
IGP-DI +7,40% +9,20%
IPC +5,09% +6,20%

Além disso, analisando os índices que já divulgaram prévias para o mês de setembro, a desaceleração da inflação fica bastante evidente. O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) da Fundação Getulio Vargas apresentou na segunda prévia de setembro uma variação positiva de 0,25% referente aos vinte primeiros dias do mês, enquanto em agosto a alta foi de 0,79% e em julho de 1,11%.

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No mesmo sentido, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) da USP divulgou a variação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente à segunda quadrissemana de setembro. Nesse período, o IPC registrou inflação de 0,69%. Essa variação ficou abaixo do índice da primeira quadrissemana de setembro, quando o IPC registrou inflação de 0,83% na cidade de São Paulo.


Deste modo, apesar de fatores adversos como a forte alta do dólar, boa parte do aumento da inflação pode ser explicada pelos reajustes nos preços de serviços públicos, que impactaram as taxas de junho, julho e agosto. Com o fim da rodada anual de reajustes, a expectativa é de inflação muito mais baixa nos últimos meses do ano. Apesar das metas inflacionárias do governo serem ultrapassadas, o desempenho da inflação no ano pode ser até mesmo encarado como bom, sobretudo dentro do quadro de forte desvalorização do real no período.

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