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SÃO PAULO – A indicação do Banco Central de começar a afrouxar a política monetária está influenciando a cotação do real em relação ao dólar, e o movimento de desvalorização da moeda brasileira pode se tornar duradouro, afirma a MCM.
Em relatório, a consultora mostra que, apesar de as principais divisas, principalmente de países relacionados à exportação de commodities, apresentarem uma tendência de depreciação, desde a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que cortou a Selic em 0,50 ponto percentual, para 12% ao ano, o real destoa e registra uma queda maior.
Visão do mercado
Para a MCM, logo após o comitê reduzir a taxa básica de juros, o mercado interpretou a medida como uma aliança do BC com o Governo para conter a recente desvalorização do dólar, mesmo que isso impeça o controle da inflação no País.
Apesar de os consultores negarem esse cenário, a reação no câmbio foi instantânea. Da primeira abertura de setembro até o dia 20, o real já se desvalorizou 12,3% em relação ao dólar, a maior do mês entre as divisas mais relevantes do mundo. Nesta quarta-feira (21), a apreciação da moeda norte-americana se intensifica novamente, alcançando níveis maiores do que R$ 1,80.
De acordo com o documento, alguns operadores já traçam paralelos entre o Brasil e a Turquia, que também cortou os juros apesar da escalada nos preços. Desde 31 de agosto, quando ocorreu a reunião brasileira, principalmente os investidores estrangeiros e as instituições não-financeiras começaram a se livrar das posições vendidas em derivativos relacionados ao câmbio.
A variação em número de contratos futuros e de opções na BM&F para aplicações externas foi de 158,47 mil em apostas quanto a uma continuidade da desvalorização do real. A exposição cambial mudou no mesmo sentido em US$ 7,92 milhões no período.
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Depreciação pode continuar
Como as ações do governo contradizem os discursos sobre contenção de gastos – como, por exemplo, o grande Orçamento para 2012 que foi enviado ao Congresso – e as medidas para conter o câmbio permanecem – por exemplo, o IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) sobre derivativos –, a MCM vê a tendência de queda do real permanecendo.
Para os consultores, só uma melhora relevante da situação europeia poderia mudar esse cenário, o que seria bem improvável no curto prazo. Esse desenvolvimento traria uma redução na aversão ao risco e o BC poderia até voltar a subir a Selic, contra um sobreaquecimento da economia.
Mesmo com a ressalva, o relatório acredita que “até onde a vista alcança, é difícil pensar no retorno do preço do dólar para patamares anteriores à última reunião do Copom”.