Projeção

Alta do Bitcoin não deverá se sustentar, sugere histórico do S&P em tempos de crise

A situação macroeconômica é similar à de 2001, com a guerra no Afeganistão, quando benchmark de ações americanas subiu após a invasão, mas voltou a cair

Por  CoinDesk -

Segundo a QCP Capital, empresa de trading de criptomoedas com sede na Cingapura, quem está apostando numa alta prolongada do Bitcoin provavelmente vai se decepcionar.

Um estudo publicado pela empresa mostra que, em quatro das últimas cinco guerras que envolviam uma superpotência, o índice de ações S&P 500 caiu com manchetes que antecipavam um conflito militar e, nos meses após o começo das hostilidades, registrou “ralis” duradouros.

A exceção foi a invasão ao Afeganistão em 2001. Naquela época, a alta da S&P 500 após a invasão atingiu seu máximo em três meses e retomou uma queda relacionada à bolha da internet, antes de estabelecer novas mínimas. A QCP espera que, desta vez, os ativos de risco tenham movimentações similares, afirmando que as condições macroeconômicas são similares às de 21 anos atrás.

“A partir do padrão histórico, achamos que os mercados globais vão permanecer amparados no curto prazo”, declarou a empresa em nota publicada ontem. “Dito isto, continuamos com cautela devido às adversidades macroeconômicas prevalecentes.”

Segundo a QCP, o paralelo mais próximo da situação atual é a guerra do Afeganistão, em 2001, por causa das seguintes semelhanças: os mercados estavam sob pressão após desalavancagem de ações de Internet; e estagflação iminente com inflação no nível mais alto da década, a 3,5%.

“Na guerra do Afeganistão, os mercados presenciaram uma alta que durou três meses, antes de retomar a tendência de queda e, enfim, fazer mínimas menores do que na época da invasão.”

Enquanto muitas pessoas na comunidade de criptomoedas consideram que o Bitcoin é o equivalente digital do ouro, dados históricos mostram que é um ativo de risco. A correlação de 60 dias da criptomoeda com o S&P 500 aumentou na última semana, alcançando nível recorde.

Desde meados de novembro, os mercados se mantêm na defensiva, principalmente pela preocupação de que o Federal Reserve (Fed) vai reduzir a liquidez do mercado antes do esperado para conter a inflação. O Bitcoin já havia caído 35% do seu pico histórico de US$ 69 mil, alcançado em 10 de novembro, quando as tensões entre Rússia e Ucrânia começaram a escalar, há duas semanas.

Com as sanções impostas pelo Ocidente a Moscou no final de semana, analistas estão preocupados que as exportações de todos os bens da Rússia — incluindo petróleo, metais e trigo — sofram, levando a economia global a uma estagflação, cenário que combina crescimento baixo e inflação alta.

A expectativa é que a situação coloque ainda mais pressão sobre o Fed e outros bancos centrais para remover liquidez dos mercados. Espera-se que o Fed aumente os custos de empréstimos em 25 pontos-base neste mês e tenha, pelo menos, mais cinco aumentos de 25% até o final do ano. O Goldman Sachs prevê que o banco central americano aumente quatro vezes as taxas no próximo ano.

“Uma diferença importante entre a guerra no Afeganistão e a guerra atual é que, em 2001, as taxas de juros eram de 6,5%. O Fed de Alan Greenspan tinha muito espaço para diminuí-las até chegar a 1%”, afirmou a QCP. “Agora, os mercados estão sob pressão similar, mas o Fed não tem como reduzir as taxas. A partir de agora, os juros só podem subir e o balanço do Fed só pode encolher.”

Portanto, o Bitcoin e os ganhos nos próximos meses do S&P 500 parecem estar em desvantagem. “Se os mercados seguirem o mesmo padrão da época da guerra no Afeganistão, qualquer alta para aliviar a pressão nas próximas semanas ou meses vai ser uma boa oportunidade para liquidar posições compradas e começar a criar colchão contra quedas”, apontou a QCP Capital.

Até o fechamento da matéria, o Bitcoin estava sendo negociado a US$ 43.600, depois de ter atingido mínima de US$ 34.500 no mês, logo após a invasão da Rússia na Ucrânia. Segundo a plataforma TradingView, o S&P 500 subiu para 4.373 depois de atingir a mínima de nove meses, de 4.114, na quinta-feira (24).

Ao contrário do que aconteceu durante a guerra do Afeganistão, o índice de ações passou por alta prolongada após o começo das guerras do Vietnã (1964), do Golfo (1991), do Iraque (2003) e da crise na Crimeia (2014).

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