Alta de casos de Covid-19 no Brasil tem impacto ainda limitado para empresas de saúde listadas em Bolsa, aponta BofA

Analistas esperam impactos do Covid para o 4T22 semelhantes ao 3T22 para as empresas do setor

Equipe InfoMoney

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O número de novos casos de Covid-19 no Brasil vem aumentando, acendendo novamente o sinal de alerta e com os analistas também de olho nos impactos para o mercado acionário nacional.

Segundo país do mundo com maior número de mortes pela Covid-19, de acordo com dados oficiais, com quase 690 mil desde o início da pandemia, o Brasil registrou um aumento nos casos de mais de 230% na comparação da semana passada com o início do mês de novembro, retornando a um patamar visto pela última vez no fim de agosto. As novas infecções, provocados pela nova subvariante Ômicron BQ.1 e outras, têm sintomas mais leves para aqueles que estão com o esquema vacinal completo, o que significa que o número de óbitos não registra o mesmo aumento.

Mesmo assim, hospitais têm registrado um aumento no número de pacientes internados, a maioria sem ter completado o esquema vacinal. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 69 milhões de brasileiros ainda não receberam a primeira dose de reforço, que é indicada para todos acima de 12 anos.

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De olho nessas tendências, os analistas do Bank of America destacaram os possíveis impactos para as empresas do setor de saúde.

A equipe de análise destaca que, apesar da alta dos casos, ainda está abaixo do pico de 2022 de uma média de 300 mil por dia.

“As taxas de mortalidade por Covid continuam relativamente baixas e não há evidências de maiores impactos em maior hospitalização Não vemos grandes impactos para o setor de saúde e esperamos impactos do Covid para o 4T22  [quarto trimestre de 2022] semelhantes ao 3T22”, apontam os analistas.

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Os volumes de casos confirmados de Covid-19 vêm aumentando desde o início de novembro, principalmente a partir da segunda semana, quando a média diária mais que dobrou para 26 mil casos confirmados de Covid por dia (de 7 a 13 de novembro), em comparação com um diário média de 11 mil uma semana antes. Mais recentemente, o número de novos casos é 5 vezes maior do que duas semanas atrás e duas vezes em relação à semana anterior, com a média diária de 52 mil testes por dia, de 14 de novembro a 18 de novembro.

No entanto, esse volume de novos casos ainda está abaixo dos níveis observados nos períodos de pico da Covid no início do ano, quando a média diária oscilou entre 300 mil a 400 mil novos casos por dia, considerando de 22 de janeiro e 22 de fevereiro.

“Vale ressaltar que durante o 1T22, a receita de testes de Covid para o Fleury FLRY3 foi de 6,2% da receita bruta total, e mais recentemente no 3T22, quando a média diária de novos casos de COVID foi de 75 mil, esse percentual da receita caiu para 1,5%. Isso nos dá uma indicação de que para ter impactos mais relevantes, os aumentos de novos casos no Brasil teriam que ser mais expressivos”, aponta o banco.

Os analistas fizeram uma análise de sensibilidade e apontaram que: i) se o nível de 100 mil novos casos por dia ocorrer até o final de dezembro de 2022, haveria uma média de 57 mil novos casos no 4T22, abaixo do 2T22 e 3T22; ii) no cenário de 150 mil novos casos por dia até o final de dezembro de 2022, a média do 4T22 estaria mais próxima dos níveis do 3T.

O BofA também ressalta que os dados de mortalidade por Covid-19 também trazem uma melhor compreensão do nível de hospitalização, pois as internações normalmente fazem parte do tratamento. A mortalidade por dia ficou em 149 entre 14 de novembro a 18 de novembro, enquanto nas duas primeiras semanas de novembro a média foi de 125 por dia e menor do que no 3T22, com uma expansão da cobertura vacinal.

Assim, para os analistas, apesar do aumento no número de novos casos de Covid, vê os impactos potenciais para o setor de saúde como limitados, não alterando muito o cenário visto no 3T22. Para o Fleury (para quem possuem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 24), esperam um impacto contínuo na receita bruta entre 1% e 2%, em linha com o 1,5% visto no 3T22. Para hospitais e operadoras de saúde, também não veem grandes impactos, com impacto semelhante ao 3T22.

Com relação a última temporada de resultados, o BofA destacou no setor os números da Rede D’Or (RDOR3), que teve um trimestre sólido, com aumento do tíquete médio e controle de custos que levou a uma expansão das margens. Já o Fleury teve números mais fortes do que o esperado, pois a empresa está ganhando volume ao longo do tempo, seja via fusões e aquisições ou por crescimento orgânico.

Por outro lado, as ações da Qualicorp (QUAL3) desabaram mais de 15% na sessão após a divulgação do resultado. O destaque negativo, mais uma vez, foi o churn (taxa de cancelamento) bastante alto, com dados de adições brutas de vidas desafiadores diante de um repasse de preço maior nesse período.

(com Reuters)