Alta das vendas sustenta visão positiva para a Duratex

Para analistas, crescimento do setor imobiliário e ganhos com sinergias serão os drivers da empresa e sua ação neste ano

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SÃO PAULO – Com o processo de recuperação da demanda industrial e o boom do setor de construção civil, as perspectivas para a Duratex (DTEX3) são otimistas, principalmente pelo potencial de aumento da procura por seus produtos, voltados para os segmentos de madeiras e louças sanitárias.

Para os analistas Eduardo Silveira e Sami Karlik, ambos da Fator Corretora, os principais drivers para as empresas de material de construção serão as vendas de imóveis e o desempenho da indústria moveleira.

Baseando-se em boas premissas de crescimento da demanda e dos lucros, Silveira e Karlik recomendam “atraente” para os papéis da Duratex e estimam preço-justo de R$ 19,00 para dezembro de 2010 – potencial de alta de 16,3% ante o último fechamento (R$ 16,34).

“Com ambiente econômico mais favorável e com a recuperação na demanda por imóveis, as incorporadoras aumentaram as previsões de lançamentos e/ou de vendas contratadas para 2009 e 2010. Dessa forma, esperamos maior consumo de materiais de construção”, preveem.

Boom imobiliário
Os analistas do Santander acreditam que a Duratex será a principal beneficiada por este bom momento, especialmente por conta de produtos voltados para acabamento de obras, área responsável pela maioria de suas vendas.

Neste ano, os analistas da Fator acreditam que a empresa sentirá a demanda de empreendimentos imobiliários lançados entre 2007 e 2009, principalmente em sua venda da divisão de louças Deca e da divisão de madeiras focadas na construção civil.

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“Os principais fabricantes de móveis populares são grandes consumidores dos painéis de madeira produzidos pela Duratex. Após a fusão com a Satipel, esperamos que a empresa tenha maior poder de negociação de preços”, comentam, ao estimar um ganho de sinergia de R$ 60 milhões por ano a partir de 2011 com a operação.

Ganhos de sinergia
A fusão de operações com a Satipel ocorreu em junho de 2009 e foi feita mediante troca de ações entre as empresas. Segundo a equipe da Planner Corretora, após a junção da Duratex com a Satipel, a empresa cresceu de tamanho e produtividade no segmento de madeiras.

“Isso contribuiu para que as duas empresas, que eram muito vertilicalizadas em termos de florestas, capacidade produtiva, de fábricas muito modernas, juntassem suas forças e fizesse com que a Duratex se tornasse a oitava maior empresa do segmento no mundo”, conta a Planner.

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A corretora explica que a fusão também permitiu que a Duratex – a marca conservada após a operação – ficasse em uma posição confortável em termos de plantas produtivas de madeira, ganhando a autossuficiência em matérias-primas.

“Hoje ela tem 100% de disponibilidade de florestas e, portanto, tem necessidade de buscar novas aquisições, já que este não é um fator que pressiona a empresa neste momento”, avalia.

Ajuste de preços
Com a produção garantida e a demanda se aquecendo, os analistas do Santander destacam também a recuperação dos preços dos produtos e aumento de volume de vendas por conta da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) como fatores positivos para a ação DTEX3.

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“Ficamos positivamente impressionados com os aumentos de preços que ela conseguiu implementar no mercado doméstico nos últimos meses (anteriormente, esperávamos preços estáveis para 2010)”, comentam.

Os analistas explicam que a Duratex aumentou entre 6% e 8% o valor dos produtos de todas as linhas nos últimos meses, em uma decisão baseada na melhora da condição econômica no país. “Prevemos um forte momento de lucros para a empresa a partir do primeiro trimestre de 2010”, falam.

Além de a alta ser vista como positiva para as margens da empresa, os analistas do Santander ainda destacam que a empresa pode subir os preços de metais e louças sanitárias já em fevereiro, formando um cenário mais otimista para seu balanço.

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“Esse fato, aliado à melhoria contínua no cenário doméstico e ao surgimento das sinergias da fusão com a Satipel, reforça nossa opinião sobre o forte momento das ações”, destaca o time de analistas. O Santander vê um potencial de valorização dos papéis da Duratex devido, também, às atuais cotações.

“Consideramos a fragilidade recente das ações (queda de 14% em dólares desde 12 de janeiro em comparação a uma queda de 5% no Ibovespa) como uma oportunidade de compra para os investidores que desejam aumentar a exposição à empresa”, concluem

Desempenho
Compartilhando a visão do Santander, a Planner espera não só alta para as ações, como também bons números de balanço para o quarto trimestre de 2009. “Como as vendas à indústria moveleira foram muito boas no final do ano, acreditamos que o resultado venha muito forte”, prevê.

Para a corretora, a empresa deve manter um bom desempenho de vendas e lucros neste ano, mesmo com o primeiro trimestre vindo um pouco mais fraco, em sua estimativa. “Com os feriados, o Carnaval, os primeiros meses do ano são mais fracos; é um movimento sazonal e natural”.

Boas premissas, mas com pouco upside
Mesmo com o cenário favorável e as perspectivas positivas, os analistas da Brascan Corretora rebaixaram em janeiro a recomendação para as ações da Duratex para “underperform” (performance abaixo da média do mercado).

O motivo apresentado pela corretora é a atual precificação dos papéis da companhia, que se encontram com baixo potencial de valorização mesmo com a elevação do preço-justo estimado para dezembro de 2010, de R$ 16,92 por ação para R$ 18,34.

“Apesar de vislumbrarmos um cenário positivo para a Duatex no ano de 2010, tanto em termos de volume de produção quanto em relação a preços, ressaltamos que nosso preço-alvo indica um upside bastante limitado, indicando que a melhora dos resultados da companhia já esteja em grande parte precificada pelo mercado”, explicam.

Apesar do rebaixamento de recomendação, a equipe de research da Brascan afirma que uma possível superação do nível de sinergias da aquisição da Satipel pode contribuir para um Ebitda (geração operacional de caixa) da empresa acima da expectativa e levar à melhor recomendação.

Riscos
Conforme explica a Planner, o principal risco que era associado à companhia – seu alto endividamento – acabou se dissipando no ano passado, quando a Duratex firmou acordo com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para renegociação de dívida.

“Com a troca de dívida com o BNDES, a empresa conseguiu diminuir seus custos do endividamento, melhorando seu caixa operacional e diminuindo os riscos”, comenta o time de research da corretora.

Porém, a equipe do Santander vê alguns pontos que podem influenciar negativamente a empresa, como o crescimento mais lento que o esperado para a economia brasileira, o acirramento da concorrência, pressões de custos e o pagamento acima do valor justo das aquisições.