Publicidade
SÃO PAULO – Após renovar a mínima desde julho de 2013, o Ibovespa inicia a negociação na sua terceira sessão seguida no negativo, puxado por dados negativos de inflação na Europa e a falta de referência do mercado chinês – fechado devido ao feriado de ano novo lunar. Às 13h45 (horário de Brasília), o índice tinha leve baixa de 0,05%, a 47.213 pontos, com as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) registrindo as perdas do índice. Vale ressaltar que, na cotação mínima do dia, a baixa foi de 0,91%, a 46.813 pontos.
Mesmo assim, caso o desempenho do índice se mantenha nesse patamar, este será o pior janeiro do benchmark desde 1995. Com queda acumulada na semana de 1,49%, o Ibovespa caminha para sua 5ª semana consecutiva de baixa, acumulando no período perdas de mais de 8,5%, além de atingir o 3º mês seguido no negativo.
A última sessão foi marcada por forte volatilidade em meio à tentativas de superar o mau humor que atinge o mercado. Analistas destacaram que o ano novo chinês, que mantém as bolsas fechadas a partir de hoje por lá, ajudou a trazer maior volatilidade para a Bolsa na véspera. Segundo o analista de investimentos da Monte Bravo, Bruno Madruga, o “carro-chefe” dos BRICS é usado por muitos investidores estrangeiros como termômetro das economias emergentes, sendo que sem ele, o mercado acaba ficando mais sensível.
Na agenda macroeconômica, as atenções ficam com os dados dos EUA. O ISM divulgou que o índice de gerente de compras do setor industrial de Chicago subiu para 59,6 em janeiro, ante 59,1 em dezembro, enquanto o Michigan Sentiment caiu para 81,2 na leitura em janeiro, ante 82,5 em dezembro. No Brasil, destaque para Pesquisa Mensal do Comércio, que registrou queda de 1,6% entre novembro e janeiro. Segundo analistas da XP Investimentos, o resultado da pesquisa sinaliza um ritmo de atividade moderado para o setor ao início de 2014, sustentado por expectativas mais otimistas em relação aos meses seguintes.
Elétricas diminuem ganhos
Nesta data, voltam a chamar atenção as ações das companhias elétricas, que lideram os ganhos do índice, passam agora a registrar movimentos distintos. O destaque fica para a Cesp (CESP6, R$ 22,59, -0,70%), que liderava a alta e agora registram queda, enquanto a Cemig (CMIG4, R$ 13,75, +1,10%) ganha forças. Segundo analistas do Credit Suisse, as duas empresas, junto com a Copel (CPLE6, R$ 27,69, -0,04%) são as mais favorecidas com a expectativa de que o preço de energia de curto prazo atinja seu recorde histórico na próxima semana, com valores acima de R$ 800 por megawatts-hora. Destaque também para os papéis favorecidos pela alta do dólar, caso da Fibria (FIBR3, R$ 26,67, +1,45%).
Em destaque, está a Petrobras, que ganha forças e vê os seus ativos subirem mais de 1%. A companhia informou os seus dados de produção de 2013 e, apesar da queda da produção no ano, traçou um cenário otimista para 2014. Vale ressaltar ainda a reunião do conselho de administração que ocorre nesta tarde em São Paulo, contando com a presença do ministro da fazenda Guido Mantega e da presidente da petrolífera, Graça Foster.
Continua depois da publicidade
Bolsas na Europa e na Ásia pressionam
Na Europa, as principais bolsas operam em queda em meio aos dados da região. Os índices europeus acentuaram suas perdas após a divulgação do indicador de inflação da região, que ficou abaixo do esperado pelos analistas, encerrando janeiro em 0,7%, ante 0,8% no mês anterior. Já a taxa de desemprego em dezembro ficou em linha com novembro e fechou a 12%.
Os economistas estão preocupados que os temores de deflação na região poderia piorar a frágil recuperação econômica na Zona do Euro, forçando o BCE a cortar as taxas de juros ainda mais ou lançar medidas políticas não convencionais. Caso o cenário se mantenha, as bolsas europeias devem encerrar janeiro em seu pior desempenho desde 2010. Ajuda a piorar o cenário a divulgação do PIB da Rússia, que encerrou o quarto trimestre a 1%, com crescimento acumulado em 2013 previsto para 1,3%, ficando abaixo das expectativas.
Sem a referência chinesa nesta sessão, as atenções na região ficam com o Japão, onde o índice Nikkei fechou com perdas de 0,62%. O principal índice do país encerrou o pregão abaixo dos 15.000 pontos e registrou em janeiro seu pior desempenho mensal desde maio de 2012, totalizando perdas de 8,5% no período, com os investidores mostrando pouca disposição de tomar risco em meio ao feriado na China.