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Alphabet ultrapassa Apple e assume posto de 2ª empresa mais valiosa dos EUA

Alta das ações do Google reflete avanço em inteligência artificial, enquanto Apple enfrenta atrasos e ceticismo do mercado

Paulo Barros

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O logotipo da Alphabet pode ser visto nesta ilustração tirada em 18 de setembro de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
O logotipo da Alphabet pode ser visto nesta ilustração tirada em 18 de setembro de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

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A Alphabet (BDR: GOGL34) superou a Apple (AAPL34) em valor de mercado na quarta-feira (7), pela primeira vez desde 2019, impulsionada pelo desempenho das ações e pelo avanço da empresa no mercado de inteligência artificial.

A controladora do Google encerrou o pregão com capitalização de US$ 3,88 trilhões, após alta superior a 2% dos papéis, que fecharam a US$ 322,03. Já a Apple terminou o dia avaliada em US$ 3,84 trilhões, com as ações acumulando queda de mais de 4% nos últimos cinco pregões.

Segundo dados da Dow Jones Market Data, o movimento também marcou a primeira vez desde 26 de fevereiro de 2018 que a Alphabet se tornou a segunda empresa mais valiosa dos Estados Unidos, atrás apenas da Nvidia (NVDC34), que supera US$ 4,6 trilhões em valor de mercado.

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O que explica a mudança?

A inversão de posições reflete estratégias distintas no campo da inteligência artificial. A Alphabet encerrou 2025 como uma das ações de melhor desempenho em Wall Street, após consolidar uma retomada baseada em IA. Em novembro, a empresa apresentou o Ironwood, a sétima geração de seus chips próprios de processamento tensorial, vistos como alternativa às soluções da Nvidia. Em dezembro, o Google lançou o Gemini 3, nova versão de seu modelo de linguagem, que recebeu avaliações positivas.

As ações da Alphabet avançaram cerca de 65% em 2025, a maior valorização anual desde 2009. No último balanço trimestral, o CEO Sundar Pichai afirmou que a demanda por serviços de nuvem segue em forte crescimento. Segundo ele, o Google Cloud fechou mais contratos acima de US$ 1 bilhão em 2025, até o terceiro trimestre, do que nos dois anos anteriores somados.

A adoção do Gemini ganhou destaque entre analistas como um indicativo da posição da empresa na corrida pela IA. Em relatório divulgado na terça-feira, o BNP Paribas afirmou que o Google “pode estar posicionado para ser a plataforma dominante de IA”.

Além dos modelos de linguagem, investidores acompanham o avanço dos chips próprios da empresa. A Alphabet informou em outubro que fornecerá até 1 milhão de TPUs para a Anthropic, enquanto a Meta Platforms avalia o uso da tecnologia em seus data centers. Analistas da D.A. Davidson estimam que os negócios de TPUs e da DeepMind poderiam valer quase US$ 1 trilhão em um eventual desmembramento.

A empresa também controla a Waymo, líder do mercado de robotáxis nos Estados Unidos, que busca captar mais de US$ 15 bilhões, com avaliação de até US$ 110 bilhões.

Do outro lado, a Apple tem enfrentado dificuldades para convencer investidores sobre sua estratégia em IA. A empresa adiou o lançamento da nova geração da assistente Siri, inicialmente prevista para 2025, e promete apresentar a versão “mais pessoal” apenas em 2026. A companhia também tem sido vista como ausente da corrida iniciada com o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, no fim de 2022.

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Nesta semana, a Raymond James rebaixou a recomendação para as ações da Apple, afirmando que os ganhos tendem a ser limitados em 2026.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)