ALPA4: o que esperar das ações da Alpargatas, maior queda do Ibovespa em 2023, após a saída do CEO?

"Em nossa visão, a direção estratégica da companhia é a correta. No entanto, ela precisa trabalhar na execução, que tem sido um problema", avalia o JP

Lara Rizério

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No fim da semana passada, a Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas, informou que seu presidente-executivo, Roberto Funari, renunciou ao cargo.

O conselheiro Luiz Fernando Ziegler de Saint Edmond foi eleito pelo Conselho de Administração da companhia para comandar a empresa interinamente. A Alpargatas afirmou que o sucessor será apontado “oportunamente”. O comunicado da empresa não trouxe os motivos para a renúncia.

Com essa renúncia, analistas se debruçaram sobre as expectativas sobre as ações da Alpargatas, maior queda do Ibovespa no ano, com baixa de 50,86% acumulada em 2023.

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Os analistas do JPMorgan viram essa mudança como um potencial de longo prazo positivo (inclusive, a ação subiu 5,11% na sexta-feira pós-anúncio). Além disso, essa mudança de gestão reflete as necessidades de curto prazo da empresa.

“Em nossa visão, a direção estratégica da companhia é a correta. No entanto, ela precisa trabalhar na execução, que tem sido um problema. Nesse contexto, acreditamos que Funari definiu a direção estratégica certa e assumiu com sucesso a frente em plataformas bem estabelecidas, mas a empresa precisa de mais ajustes. Nesse aspecto, achamos que o histórico sólido e a experiência passada de Edmond associados ao seu já profundo envolvimento com a empresa tem um alto potencial para ajudar a desenvolver ainda mais a execução da ALPA na plataforma D2C [direct to consumer], apoiando a racionalização da estrutura. Com isso em mente, acreditamos que Edmond provavelmente implementará mudanças estruturais na empresa antes de entregar a sua posição de CEO para um sucessor permanente e provável de longo prazo que deverá acelerar novamente a estratégia de crescimento”, apontam os analistas.

Ainda assim, não espera que essas mudanças estruturais previstas aliviem significativamente os prováveis resultados ruins no curto prazo.

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O Citi acredita que a renúncia do CEO Roberto Funari pode fazer parte de uma gestão mais ampla em curso. A remodelação começou em setembro de 2022, quando a companhia mudou toda a sua estrutura organizacional para o exterior – ou seja, descontinuou a função de CEO Internacional, antes ocupada por Frederic Levy.

A última mudança foi em fevereiro de 2023, com André Natal assumindo o cargo de CFO após a renúncia de Julian Garrido. Sob a liderança de Beto Funari, a empresa passou por uma grande mudança estratégica e uma revisão completa do portfólio de marcas, descontinuando a maioria de suas marcas não essenciais. Em 2020, a empresa reformulou a sua estrutura societária.

O Citi tem recomendação de compra para ALPA4, com preço-alvo de R$ 21. O JPMorgan tem recomendação equivalente, overweight (com exposição acima da média, equivalente à compra). Por outro lado, o banco americano revisou o preço-alvo para baixo, de R$ 20 para R$ 9.

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Para o JPMorgan, o momentum de curto prazo para a Alpargatas deve continuar desafiador. E, depois de consistentemente
decepcionante por quase um ano, os analistas do banco começam a questionar se o ritmo de implementação da estratégia, que acreditam ser o correto, deverá dar os frutos esperados face aos problemas e desafios de execução e alterações de gestão – sendo a última a renúncia do CEO.

Em outras palavras, 1) ganhos significativos de participação de mercado nos mercados internacionais, juntamente com maior alavancagem operacional e 2) mix de margem maior no Brasil com um portfólio mais premium e vendas mais altas através de varejistas especializadas devem ser um processo mais lento do que o previsto.

Isso levou o banco a assumir uma postura materialmente mais conservadora em suas estimativas, cortando a projeção de lucro por ação em 55% para 2023 e em 46% para 2024, colocando-os cerca de 28% abaixo do consenso. Ainda assim, continuam a ver bom potencial de valorização para os ativos.

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“Embora esperemos resultados sem brilho à frente, com o lucro por ação para 2023 provavelmente chegando ao fundo, vemos a ação também bastante descontada para ser ignorado, mesmo no contexto de que está longe de ser uma de nossas melhores opções”, avalia.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.