Alocação de carteira: impacto do perfil na seleção de ativos

Escolha dos ativos que irão compor a carteira deve ser função do seu objetivo ao investir, o que inclui, além do prazo, seu apetite para risco

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SÃO PAULO – A escolha dos ativos que irão compor a carteira de investimentos de uma pessoa deve ser função do seu objetivo ao investir, o que inclui, além do prazo, o seu apetite para risco. Outro fator importante é a expectativa de retorno e risco de longo prazo de cada uma das classes de ativo, que acabarão influenciando a expectativa de retorno da carteira como um todo.

Em palestra durante o no V Encontro Nacional de Gestão de Investimentos e Fundos, realizado no último dia 21 de setembro, em São Paulo, Júlio Ziegelmann, do Bank Boston Wealth Management Services discutiu as expectativas de retorno e risco para as várias classes de ativo, e, com base nelas sugeriu uma alocação de carteira para alguns perfis de risco.

Expectativas futuras de retorno

Em sua palestra Ziegelmann apresentou a expectativa de retorno e risco de longo prazo para várias classes de ativo, como ilustrado na tabela abaixo.









































Classe de ativo Expectativa
de Retorno
Risco Intervalo de
Retorno (95%)
Renda Fixa
CDI
7,6% 1,0 5,7% a 9,5%
Renda Fixa
Pré
7,9% 2,6% 2,8% a 13%
Renda Fixa
Inflação
8,5% 5,6% -2,5% a 19,5%
Derivativos 9,1% 3,2% 2,8% a 15,4%
Ações (IBX) 13,5% 29,8% -44,8% a 71,8%
Dólar 3,0% 26,0% -48,0% a 54,0%
Dívida Externa 8,0% 18,0% -28,8% a 44,8%

Fonte: Wealth Management Services Bank Boston

A análise dos dados permite concluir que o retorno esperado para o investimento em ações é 1,7 vez maior do que o previsto para as aplicações em renda fixa pré-fixada. Porém, esse retorno traz consigo um perfil mais alto de risco, visto que o risco esperado no investimento em ações é sete vezes maior que o da renda fixa pré-fixada, segundo os dados do Bank Boston.

Perfil e retorno esperado influenciam alocação

Com base nos retornos esperados de longo prazo, que gostaríamos de reforçar não podem ser tomados como garantia de retorno, mas servem para ilustrar a relação risco e retorno das várias classes de ativo, Ziegelmann sugeriu uma alocação teórica de carteira para 5 perfis de risco distinto. Na tabela abaixo incluímos a alocação de três deles: conservador, moderado e agressivo.

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Ativo Conservador Moderado Agressivo
CDI 60% 40% 20%
RF Pré 10% 10% 0%
RF Inflação 15% 10% 10%
Multimercado 15% 30% 40%
Ações 0% 10% 30%
Retorno(*) 8,0% 8,8% 10,1%
Risco 1,5% 3,8% 9,5%

(*)Retorno esperado de longo prazo.
Fonte: Wealth Management Services Bank Boston

Através da análise do retorno ajustado para o risco, fica fácil entender o porquê de ativos em dólar e de divida externa estarem excluídos da carteira sugerida. Com baixo retorno esperado de longo prazo, e elevada expectativa de risco, esses ativos no momento acabaram não sendo incluídos em nenhuma das carteiras.

Impacto da liquidez na seleção

Ainda que a seleção dos ativos que irão compor a carteira deva refletir o seu perfil de risco, ela também não pode ignorar as necessidades de liquidez do investidor, sendo que por liquidez entendemos a rapidez com que um ativo pode ser transformado em dinheiro.

Em geral, a necessidade de liquidez significa que existe a chance de que o prazo de investimento não será tão longo, o que, como já discutimos anteriormente, e ilustramos abaixo, aumenta o risco de que o retorno esperado não seja alcançado.
A tabela abaixo compara o retorno máximo, esperado e mínimo para cada perfil de carteira em dois horizontes de investimento: 1 ano e 10 anos.

























Prazo 1 ano
Perfil Máximo Esperado Mínimo
Conservador 11,0% 8,0% 5,0%
Moderado 16,3% 8,8% 1,6%
Agressivo 29,6% 10,1% -7,2%
























Prazo 10 anos
Perfil Máximo Esperado Mínimo
Conservador 8,9% 8,0% 7,0%
Moderado 11,0% 8,8% 6,4%
Agressivo 15,6% 10,1% 4,0%

Fonte: Wealth Management Services Bank Boston

A análise dos dados acima deixa evidente que ainda que o retorno esperado para uma carteira de perfil conservador seja de 8%, independente do prazo, o mesmo não acontece com o retorno mínimo e máximo, cujo diferencial é maior no cenário de curto prazo. Assim, o retorno da carteira conservadora pode variar entre 5% e 11% para um horizonte de um ano, e oscilar entre 7,0% e 8,9% se o horizonte de análise aumenta para 10 anos.

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Em outras palavras, o que os dados ilustram é que em um horizonte de longo prazo de investimento, as chances do retorno efetivo da carteira ser bastante próximo ao esperado são maiores. O diferencial é ainda maior a favor do longo prazo quando o perfil da carteira é agressivo, neste caso, estamos falando em garantir um retorno positivo de ao menos 4%, ou registrar perdas de até 7,2%.