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SÃO PAULO – A alegria do governo com a inflação em trajetória decrescente está perto de acabar, conforme aponta a LCA Consultores. O governo vinha comemorando a desaceleração recente da inflação – que recuou para abaixo do teto da meta de 6,5% ao ano -, mas o câmbio e a gasolina deverão renovar a persistência do aumento dos preços.
Conforme apontam os economistas da LCA, a pressão cambial vem alcançando intensidade “surpreendente”, e pode alterar a persistência da inflação. Eles destacam que, antes da marcante desvalorização do real entre maio e junho, a projeção mais elevada entre as instituições de mercado consultadas para a realização do Relatório Focus era do dólar a R$ 2,15 no final do ano; o dólar fechou a última sessão encostando nos R$ 2,42.
“Assim, a cotação do dólar a R$ 2,40 tende a representar um aumento expressivo da pressão de custos na cadeia produtiva, que tende a ser apenas parcialmente compensada pela redução das alíquotas de importação de diversos produtos anunciada recentemente pelo governo federal”, destaca a LCA.
Reajuste dos combustíveis também deve impactar
Além disso, o governo enfrenta um dilema em relação ao alargamento do diferencial do preço doméstico-externo dos combustíveis, destacam os economistas, evidenciado ainda mais pela pressão cambial, que alarga ainda mais a diferença.
De um lado, um eventual aumento nos preços dos combustíveis poderia atrapalhar ainda mais a perspectiva de desaceleração da inflação e reavivar protestos populares, colocando em risco as melhoras incipientes da avaliação do governo e da confiança empresarial, afirma a consultoria.
Porém, a resistência a um aumento dos combustíveis, ademais de pesar sobre as contas da Petrobras (PETR3;PETR4), poderia ser interpretada pelas agências internacionais de rating “como um recrudescimento do ativismo oficial e potencial fator de risco fiscal (o que poderia ter reflexo negativo sobre a nossa nota de crédito soberano e, a reboque, aumentar ainda mais a pressão cambial)”, destacam os economistas.
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A LCA aponta que a correção integral das defasagens causaria um impacto bastante grande na inflação, mas o crescimento no consumo de combustíveis e o fato da Petrobras estar próxima ao limite superior de sua capacidade de produção indicam que a empresa terá sérios prejuízos se nenhum reajuste for concedido.
Neste contexto, os economistas apontaram por incorporar um aumento de R$ 0,18 no preço da gasolina – a expectativa de que eleve o preço apenas da gasolina e não do diesel, uma vez que seria mais “palatável” em termos políticos, pelo fato do diesel ser utilizado em transportes públicos e de cargas.
A elevação dos preços deve ter um impacto direto de IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) seria de aproximadamente 0,3 ponto percentual, de modo que a projeção foi elevada de 5,7% para 6% em 2013. Com isso, o Banco Central deve aumentar a Selic para 10% ao ano, acredita a LCA, um aumento adicional de 50 pontos-base em relação a projeção anterior da consultoria. Atualmente, a taxa básica de juros está em 8,5% ao ano.