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O Banco do Brasil (BBAS3) ainda deve enfrentar tempos difíceis, na análise da XP. O research da corretora considera que o panorama para a carteira agro ainda deve seguir sobre pressão, mesmo após medidas do governo que poderiam trazer algum alívio no segmento e impulsionarem uma alta de cerca de 20% da ação em relação às mínimas.
A visão é de que a Medida Provisória 1.314 que autoriza fontes de financiamento para linhas de crédito rural para liquidar ou amortizar dívidas de produtores afetados por eventos adversos poderia beneficiar o Banco do Brasil, potencialmente reduzindo a inadimplência do agro e ajudando os indicadores de capital.
Ainda assim, o relatório destaca que há expectativa de que a pressão continue em especial impulsionado por grandes produtores no Mato Grosso (MT) que estão bem capitalizados, apesar da comercialização de grãos atrasada, enquanto margens apertadas continuam pesando fortemente sobre produtores menores ou mais alavancado.
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Além disso, a análise ressalta que o Banco do Brasil mantém proporção maior de garantias júnior em meio à intensificação da concorrência e ao aumento de Recuperações Judiciais (RJs).
“Esperamos que a inadimplência do agro permaneça pressionada, potencialmente normalizando em níveis piores do que nos últimos anos. Além disso, esperamos maior pressão sobre as outras carteiras do banco devido à desaceleração macroeconômica, impulsionada pelas altas taxas de juros”, afirma o relatório.
Por isso, a projeção de provisão para perdas esperadas foi estabelecida em R$ 33 bilhões pelos analistas da XP. A XP estima que isso levaria as provisões totais do ano além do limite superior da faixa do guidance (R$ 51–56 bilhões).
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Pelo aumento da inadimplência e do risco, a XP revisou a estimativa de lucro líquido para 21% a menos para 2025 e 16% para 2026. Os analistas destacam que a projeção fica abaixo do limite inferior da faixa do guidance deste ano. O retorno sobre patrimônio (ROE, na sigla em inglês) ficaria em 11% para 2025.
Com papéis negociados a múltiplos de 6,1 vezes o preço sobre o lucro para 2025 e 5,4x P/L para 2026, a XP considera os níveis caros. O dividend yield (DY, ou dividendo em relação ao preço da ação)) estimado ficaria em 4,8%, com dividendos no terceiro e quarto trimestre dentro do payout (proporção de pagamento em relação ao lucro) de 30% ao ano.
“Por enquanto, esperamos uma recuperação lenta, ROE abaixo do Ke [custo de capital próprio] e DY baixo como fatores que compensam o risco de alta vindo do possível trade eleitoral, portanto preferimos manter nosso rating de Neutro”, afirma.
No ano, o papel recua cerca de 16%, mas a variação mensal é positiva em 5,41%.
