Câmbio

Alívio desta sexta não muda cenário: dólar acima de R$ 3,20 veio para ficar

A tendência é que o dólar nos próximos dias siga um movimento momentâneo conforme as notícias forem sendo apresentadas, podendo ter um pouco de alívio em alguns dias, como ocorre hoje

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Apesar da forte queda do dólar nesta sexta-feira (10), o cenário com a moeda acima dos R$ 3,20 parece que veio para ficar, segundo análise feita pela LCA Consultores. Até ontem, o real registrou forte depreciação ante a moeda americana, voltando para níveis não vistos há pelo menos 3 meses. Hoje, com alívio vindo da Grécia e China, o dólar cai 1,23%, para R$ 3,1934 na compra e R$ 3,1941 na venda.

A recente queda acompanhou o movimento de outras divisas emergentes: “Este movimento de depreciação das moedas dos emergentes está relacionado com os últimos acontecimentos da crise grega na zona do euro. De fato, as incertezas em torno da Grécia seguem elevadas após a vitória do ‘não’ no plebiscito”, disse a equipe da LCA.

A tendência é que o dólar nos próximos dias siga um movimento momentâneo conforme as notícias forem sendo apresentadas. Neste final de semana ocorre nova reunião de credores para analisar as propostas entregues pela Grécia na última quinta-feira. Enquanto isso, as bolsas chinesas se recuperam, mas analistas ainda acreditam que as medidas recentemente anunciadas apenas irão adiar o cenário caótico por lá.

Aprenda a investir na bolsa

Por ora, além da saída da Grécia da zona do euro, não conseguimos vislumbrar alguma saída para esse impasse. Assim, o movimento de ‘flight to quality’ tende a se manter, e continuará favorecendo o dólar. Entretanto, mantemos a avaliação de que mesmo no pior cenário, ou seja, de saída da Grécia da zona do euro, não causaria grandes impactos nos preços dos ativos financeiros como ocorreu no auge da crise financeira de 2008″, afirmam os analistas da LCA em relatório.

Para piorar, no caso brasileiro, o cenário interno também não ajuda: “primeiro foi a continuidade da política de redução da intervenção do Banco Central no mercado de cambial através da menor rolagem dos vencimentos destes derivativos […] outro fator diz respeito ao aumento do risco político em função noticiário em torno de um possível impeachment da presidente Dilma”, explicam os analistas. Com tudo isso em jogo, a LCa acredita que no curto prazo é baixa a probabilidade de recuperação expressiva do real frente ao dólar.