Alimentos e remédios impediram desaceleração do IPCA-15 em abril

Inflação medida pelo IBGE registrou variação de 1,14%, mesmo patamar de março, mas abaixo do esperado pelo mercado

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SÃO PAULO – O IBGE divulgou, na manhã dessa sexta-feira, o resultado da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), relativo ao mês de abril.
No período, o índice registrou variação positiva de 1,14%, mesmo patamar contabilizado em março. Com isso, a inflação acumulada em 2003 chega a 6,60% e a variação nos doze meses encerrados em abril atingiu 16,74%.
As projeções contidas no relatório Focus do Banco Central, que compila a opinião de cem analistas, para o IPCA em abril apontam para inflação da ordem de 0,90%.
Liberação do preço dos remédios pressionou inflação

Isso porque o aumento dos preços alimentícios, aliado ao impacto no preço dos remédios, levou à aceleração dos preços livres, mas a dissipação dos reajustes dos preços dos combustíveis e das tarifas de ônibus públicos, além da menor alta dos preços administrados, impediram maior elevação do IPCA-15 em abril.
Além disso, para o IPCA-15, parte do mercado acreditava que a alta dos preços deveria atingir 1,3% em março, sinalizando maior desaceleração apenas na segunda quinzena do mês. Dessa forma, a inflação medida pelo IPCA-15 ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado.
Transportes e gasolina impediram maior alta

De fato, houve redução de 2,80% em março para 1,25% em abril da taxa de crescimento dos ônibus urbanos, sem contar na ausência do reajuste nos serviços de telefonia fixa, que atingiu 4,18% em março, além da relativa queda nos preços da gasolina, de 1,71% para deflação de 0,63%.
No entanto, o preço das passagens aéreas registrou aumento de 6,48% em abril, acima da elevação de 2,36% em março, enquanto os preços dos remédios, ainda refletindo reajuste concedido no fim de fevereiro, subiram 5,87%, frente à elevação de 1,37% em março.
Na mesma direção, os artigos de limpeza subiram 3,45% em abril, frente elevação de 2,83% em março, enquanto a taxa de água e esgoto e artigos de vestuário subiram 2,96% e 1,21%, respectivamente, contra taxas de 1,72% e 0,03% no mês anterior.
Já o gás de cozinha também pressionou o IPCA-15, com reajuste de 4,08%, frente à deflação de 3% em março, pressionado pelos aumentos expressivos em Recife (10,36%), Fortaleza (10,11%), Salvador (11,09%) e Curitiba (13,01%).
Alimentos seguem em alta

Também registrou elevação superior àquela apurada em março o preço do item alimentação, principalmente em função do clima, subindo de 1,32% para 1,61%. Nesse contexto, o tomate disparou 63,07% e a cebola registrou elevação de 29,45%.

Finalmente, outros itens alimentícios como feijão carioca, peixes, ovos, farinha de mandioca, açúcar cristal e feijão preto também pressionaram o IPCA-15.

Das doze regiões metropolitanas avaliadas, Belo Horizonte registrou a maior variação de preços em abril (1,70%), enquanto São Paulo registrou a menor inflação (0,80%).

Entenda o índice

O IPCA-15 se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários-mínimos e seus dados são coletados nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
Os preços para cálculo foram coletados no período de 15 de março a 11 de abril e comparados com os preços vigentes de 13 de fevereiro a 14 de março.