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SÃO PAULO – Os paulistanos viram os preços subir 4,05% no ano passado. A taxa representa queda de 2,06 pontos percentuais em relação a 2008, quando foi registrado índice de 6,11%. Por estrato de renda, as famílias de maior poder aquisitivo, pertencentes ao estrato 3, tiveram a maior elevação de preços em 2009.
As informações, divulgadas nesta terça-feira (12), fazem parte do ICV (Índice de Custo de Vida), apurado mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).
Por renda
Segundo o levantamento, o ICV para o estrato 3 (composto por um terço das famílias mais ricas, que contempla os domicílios nos quais a renda média salarial é de R$ 2.792,90 ao mês) registrou a maior alta no custo de vida, de 4,36% no ano passado.
Para as pessoas inseridas no estrato 2 (famílias de nível intermediário, com rendimento médio de R$ 934,17 mensais), o ICV ficou em 3,55% no ano passado, o menor índice registrado.
Considerando o estrato 1 (composto por um terço das famílias mais pobres, que contempla os domicílios nos quais a renda média salarial fica em R$ 377,49 ao mês), o Dieese aponta que o custo de vida ficou em 3,75%.
Principais variações
De acordo com o Dieese, a inflação em 2009 não afetou as famílias de forma semelhante. As taxas diferentes de inflação refletem a forma como elas distribuem seus gastos, comportamento que varia de acordo com o poder aquisitivo.
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Habitação, por exemplo, sofreu inflação de 5,78% no ano passado principalmente por causa dos preços de bens e serviços públicos e/ou administrados. Desta forma, a população mais atingida foi a de menor renda. À medida que a renda das famílias cresce, as contribuições deste tipo de despesa caem.
Já no grupo Alimentação, com inflação de 2,95% no ano passado, o maior peso foi das refeições fora de casa, mais realizadas por famílias de alta renda. Por outro lado, a queda ou pequena variação ocorrida em alimentos veio a beneficiar os consumidores de mais baixa renda.
As mensalidades escolares, que pressionaram o grupo Educação para uma inflação de 7,80%, afetaram mais as famílias de maior poder aquisitivo, bem como os grupos Transportes (+3,22%) e Saúde (+3,34%), que aumentaram devido à alta de combustíveis e dos seguros e convênios médicos.
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| ICV por estrato de renda em 2009 | |||
|---|---|---|---|
| Item | Estrato 1 | Estrato 2 | Estrato 3 |
| Habitação | 6,18% | 5,69% | 5,69% |
| Alimentação | 1,85% | 2,16% | 3,92% |
| Educação e Leitura | 7,84% | 7% | 7,94% |
| Transportes | 3,01% | 2,91% | 3,37% |
| Saúde | 3,71% | 3,38% | 3,25% |
| Despesas Pessoais | 11,52% | 11,18% | 10,53% |
| Recreação | 3,28% | 1,61% | 2,14% |
| Despesas Diversas | 3,27% | 3,25% | 2,97% |
| Equipamento Doméstico | -0,94% | -1,69% | -0,96% |
| Vestuário | -2,46% | -1,60% | -2,46% |
| TOTAL | 3,75% | 3,55% | 4,36% |
| Fonte: Dieese | |||
Mensal
No mês de dezembro, o ICV acumulou alta de 0,08%. Ao considerar os diferentes estratos de renda, a maior taxa apurada foi a das famílias de maior poder aquisitivo (0,14%). Para as famílias do estrato 2, o índice ficou praticamente estável (+0,003%), enquanto para aquelas com menor poder aquisitivo houve queda de 0,05%.
De modo geral, os aumentos verificados no mês devem-se, especialmente, às elevações apuradas nos grupos Despesas Diversas (0,53%), Saúde (0,28%) e Transportes (0,27%).