Alimentos e biocombustíveis: representante da ONU não quer resposta precipitada

Segundo John Holmes, os biocombustíveis foram desenvolvidos por bons motivos, e não apenas por prazer

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SÃO PAULO – De acordo com o responsável pelo grupo de crise das Nações Unidas para enfrentar o aumento nos preços dos alimentos, John Holmes, é preciso evitar uma resposta precipitada com relação ao desenvolvimento dos biocombustíveis.

“Os biocombustíveis foram desenvolvidos em resposta ao problema dos efeitos das alterações climáticas e devido à necessidade de diminuir as emissões de gases do efeito estufa, não foram criados apenas por prazer”, afirmou Holmes.

Regiões

Conforme divulgou a Agência Brasil, entre as causas da crise alimentar mundial, estão a diminuição da produção agrícola nos países em desenvolvimento, as catástrofes climáticas e o desenvolvimento dos biocombustíveis, que usam cereais para a produção de combustível, fazendo aumentar o preço dessas matérias-primas.

Para o responsável do grupo de crise da ONU, a produção massiva de biocombustíveis é “mais complexa”. “Em certas regiões, é sensato produzir biocombustíveis, mas em outras não é necessariamente assim”.

Brasil é vítima

Para o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, a produção brasileira de etanol permite que o Brasil se torne auto-suficiente em relação ao consumo de combustível, mas o País é “vítima” de campanha internacional contra os biocombustíveis.

Lupi destacou que sente “orgulho” da posição alcançada pelo Brasil como um dos maiores produtores de etanol do mundo. Segundo ele, de cada dez carros fabricados no Brasil, nove são movidos a biocombustíveis.

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Produção de alimentos e biocombustíveis

Para o senador José Maranhão (PMDB-PB), a tecnologia atualmente disponível para o agronegócio brasileiro tornou possível aumentar a produção de alimentos e de biocombustíveis simultaneamente no País.

“Entre as causas mais importantes da apreciação dos alimentos, estão a quebra da última safra de grãos de grandes produtores como Austrália e Canadá, além da forte subida do preço da barril de petróleo, que gerou aumento de custos dos agricultores com fertilizantes, defensivos e transporte”, afirmou.

E, conforme defende o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), é importante destacar que o Brasil é detentor de um potencial para solucionar no curto prazo a crise mundial de alimentos. “Podemos incorporar aos 47 milhões de hectares usados para produzir comida mais 50 milhões de hectares de pastagens subaproveitadas que possuem aptidão para agricultura de grãos”.

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Sustentabilidade dos biocombustíveis

Entre os dias 5 e 8 de maio, um grupo de parlamentares brasileiros defenderá, em Bruxelas, a sustentabilidade dos biocombustíveis. A comitiva participará de uma reunião da Comissão de Energia do Parlamento Europeu.

Segundo o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Biocombustíveis, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), a Europa ameaça rever uma norma recentemente editada que obriga a mistura de 5% de etanol à gasolina.

O deputado vai argumentar no Parlamento Europeu que não há esse perigo no Brasil. “Nós temos terra, água, sol, mão-de-obra disponível, tecnologia da Embrapa para produzir em áreas tropicais. Nós não corremos o risco de causar um impacto negativo na produção de alimentos”, afirma.