Alimentos: com crédito, brasileiro pôde consumir itens não-básicos em 2007

Segundo a Nielsen, as bebidas à base de soja e o iogurte são algumas das categorias que se enquadram nesta tendência

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SÃO PAULO – A inflação controlada, a facilidade de crédito, a produção industrial a todo vapor, o aumento da renda média e a menor taxa de desemprego fizeram com que os consumidores brasileiros tivessem maior acesso às categorias não-básicas dos bens de consumo.

De acordo com o coordenador de Servicing Center da Nielsen, Filipe Aboláfio, no grupo alimentação, é possível citar as bebidas à base de soja e o iogurte nesta tendência, além de coloração e amaciantes, em outros segmentos.

Bebidas

Segundo levantamento realizado pela empresa, a cesta de bebidas não-alcoólicas registrou um crescimento expressivo no consumo em 2007, de 5,6%, impulsionado principalmente pelas boas vendas de refrigerantes (5,2%), bebidas energéticas (29,5%) e à base de soja (24,3%).

No caso dos refrigerantes, mais de 600 mil lares que não adquiriram a categoria em 2006 passaram a comprá-la no ano passado, sendo que a quantidade média consumida no ano nos lares de níveis socioeconômicos alto e médio aumentou em 10 litros.

Com as bebidas à base de soja, esse incremento foi de um litro. Em 2007, o produto teve um aumento de 19% nos lares compradores e lançamento de cerca de 100 itens, que contribuíram em 9% para o crescimento da categoria.

Entre todos os segmentos analisados, o maior crescimento de 2007 ficou com o de bebidas alcoólicas (7,1%). Apesar do aumento de preço, as cervejas (7,4%), aguardentes (5,2%) e uísques (7,5%) apresentaram altas expressivas. Já a categoria refrigerantes alcoólicos teve queda de 6,1% nos preços e incremento de 31,2% em volume vendido.

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Alimentos

O segundo maior crescimento, de 7%, ficou com a cesta de alimentos perecíveis, sendo que a categoria sorvetes foi o grande destaque (17,4%). Frios e embutidos também tiveram um bom desempenho, com incremento de 8,9%.

Em iogurtes, a alta de 3,5% confirma a tendência de maior acesso do consumidor às categorias consideradas supérfluas. Quase um milhão de lares que não compraram o produto em 2006 passaram a fazê-lo no ano passado, com destaque para as marcas de baixo preço, que representaram 40% do volume do segmento.

Na cesta de mercearia salgada, houve relativa estabilidade no consumo (0,6%), com retração em farinha de trigo (-10,4%), que teve aumento de 12,3% nos preços; óleo/azeite (-2,1%), cujos preços tiveram alta de 9,4%; e arroz (-1,2%), com incremento de 5,3% nos preços.

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Por outro lado, as categorias molho de tomate (10,2% e queda de 3,7% nos preços), pão industrializado (6,8%) e aperitivo salgado sólido (5,9%) tiveram bons desempenhos em 2007.

Higiene e limpeza

O grupo de higiene pessoal teve um aumento de 1,5% no volume vendido no ano passado, sendo que os preços tiveram uma pequena redução de 0,6%. Destaque para as vendas na categoria fraldas Descartáveis (9,4%), impulsionadas pela redução de 4,6% no preço médio.

Coloração para cabelos, por sua vez, teve incremento de 7,2%, alavancada pelas marcas de baixo preço, que já representam quase metade do volume da categoria. Para se ter uma idéia, cerca de 1 milhão de lares passaram a comprar o produto, de maneira que os consumidores de nível socioeconômico baixo foram os que mais contribuíram para o crescimento da categoria.

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Por fim, a cesta de limpeza caseira variou seu volume vendido em 1,2%, com retração das categorias sabão em barra (-7,1%) e cera para Assoalho (-5,2%). Inseticidas (8,3%), água sanitária (5,6%) e amaciantes (3,4%) tiveram bons desempenhos.

Neste último caso, o número de lares compradores aumentou em 1 milhão de unidades e a quantidade média comprada em um ano cresceu em 1 litro. Bom desempenho para as marcas de preço médio e embalagens de 2 litros.