Alertas sobre double-dip nos EUA e na Europa pressionam cotação do petróleo

Commodity opera com quedas superiores a 1% em Londres e Nova York; Existing Home Sales decepciona e eleva cautela

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SÃO PAULO – O mercado internacional de commodities sofre com a aversão ao risco instaurada nesta terça-feira (24), após dados decepcionantes do mercado de imobiliário norte-americano e novos alertas sobre o risco de double-dip. A performance do petróleo não é diferente: a cotação do barril do tipo Brent, negociado no mercado de Londres, atinge US$ 72,66 nesta terça-feira, baixa de 1,16% em relação ao último fechamento.

No mesmo sentido, o contrato com vencimento em setembro de 2010, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, opera a US$ 72,12 por barril, configurando uma baixa de 1,10% frente ao fechamento anterior. 

Agenda dos EUA pesa
No final da manhã, a Associação de Corretoras de Imóveis dos Estados Unidos anunciou o Existing Home Sales, mostrando uma queda nas vendas anualizadas de imóveis usados de 5,26 milhões em junho para 3,83 milhões em julho.

Além do forte recuo mostrar a continuidade das fraquezas no setor, o número também ficou aquém ao esperado pelos analistas, de 4,72 milhões de unidades, sinalizando que a desaceleração na economia de um dos maiores consumidores de petróleo do mundo pode ser pior do que o previsto inicialmente.

Não à toa, as avaliações de que os Estados Unidos podem ter uma recessão em forma de W são crescentes. Nesta manhã, o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, uniu-se ao coro e afirmou que o risco de um double-dip cresceu nos últimos seis meses. “Não é o resultado mais provável, mas eu estou preocupado sobre quão forte a recuperação será”, afirmou, em evento em Indianápolis.

Em relatório divulgado nesta sessão, o economista chefe da Gluskin Sheff e ex-analista do Bank of America Merrill Lynch, David Rosenberg, foi ainda mais longe: os Estados Unidos passam hoje por uma depressão no estilo de 1930 e não por uma recessão. Os sinais positivos, como o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), não são sustentáveis, segundo ele.

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Double-dip na Europa
Os alertas não acontecem apenas nos Estados Unidos. O crescente temor de recessão em W também ocupa o noticiário europeu e amplia o clima de cautela a uma extensão global, levando os investidores a evitarem ativos mais arriscados, como o petróleo.

Em entrevista ao Times, o novo membro do BoE (Bank of England) Martin Weale afirmou que o Reino Unido corre o risco de um double-dip, de forma que as projeções do banco central para este ano e 201 podem estar otimistas demais. Além dele, Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de economia em 2001, ressaltou o risco de uma nova recessão na Europa devido aos cortes orçamentários dos governos, em entrevista à rádio irlandesa RTE.