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SÃO PAULO – Em leilão realizado nesta quarta-feira (22), o Tesouro da Alemanha vendeu € 4,083 bilhões em títulos públicos de dois anos, com juro zero, isso é, sem retorno ao investidor. Segundo informações do Bundesbank (Banco Central da Alemanha), os papéis com vencimento em 2014 foram vendidos por 99,994% do valor.
Na esteira dessa notícia, o rendimento dos papéis de dívida de dez anos da Alemanha registram forte queda. Enquanto isso, no restante da região, os rendimentos dos títulos públicos continuam em queda diante de um mercado ansioso com a reunião, que acontece no fim do dia, entre o primeiro-ministro grego Antonis Samaras e o chefe do Eurogroup, Jean-Claude Juncker.
No encontro, o primeiro-ministro da Grécia inicia uma ofensiva com negociações para convencer o chefe do Eurogroup de que o país tem a disposição para avançar com reformas impopulares e merece mais tempo para fazer isso.
Enquanto isso, os rumores de que o BCE poderá intervir no mercado de títulos públicos continuam. Segundo notícias, a autoridade monetária poderá colocar um limite para os custos da dívida de países com problemas.
| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 23,82% | -1,48% | +22,37 |
| Portugal | 9,22% | -0,38% | +7,77 |
| Itália | 5,66% | +0,09% | +4,21 |
| Espanha | 6,25% | +0,63% | +4,80 |
| França | 2,14% | -1,06% | +0,69 |
| Alemanha | 1,45% | -6,49% | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
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Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.