Ajuste no setor externo continua em 2003, com forte superávit comercial

Déficit em conta corrente nos doze meses até fevereiro cai para apenas 1,22% do PIB, com elevado superávit comercial

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SÃO PAULO – Os dados divulgados pelo Banco Central na Nota do Setor Externo, relatório dirigido à imprensa e ao público em geral com informações referentes ao desempenho do setor externo, mostram que o ajuste da economia brasileira continuou no início de 2003.

Refletindo o forte resultado da balança comercial, foi registrado um déficit em conta corrente de apenas US$ 5,5 bilhões, ou 1,22% do PIB, no acumulado dos doze meses encerrados até fevereiro, sendo este o melhor resultado apresentado pela conta desde fevereiro de 1995. A título de comparação, a proporção do PIB era de 4,28% em fevereiro do ano passado.

Em fevereiro déficit recuou para US$ 197 milhões

Nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 o saldo das transações correntes foi negativo em US$ 41 milhões, o que representa uma forte melhora em relação ao mesmo período no ano passado, quando a conta foi negativa em US$ 2,248 bilhões.

Apesar do bom desempenho da balança comercial, em fevereiro foi registrado um saldo de transações em conta corrente negativo em US$ 197 milhões, pior do que o superávit de US$ 156 milhões em janeiro, mas muito melhor que o saldo negativo de US$ 1,074 bilhão registrado em fevereiro de 2002.

Enquanto isso, o balanço de pagamentos referente ao mês de fevereiro registrou saldo negativo de US$ 453 milhões, sendo que no mesmo mês do ano anterior observou-se um déficit de US$ 358 milhões, tendo no ano de 2002 esta conta encerrado um superávit de US$ 302 milhões.

Reservas internacionais registraram retração

Em função do resultado negativo do balanço de pagamentos no mês passado, as reservas internacionais totalizaram US$ 38,5 bilhões no final de fevereiro, uma retração de US$ 242 milhões em relação ao mês de janeiro.

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Dívida externa cresceu frente à novembro

Segundo o relatório do Banco Central, a dívida externa brasileira total foi de US$ 211 bilhões no final de dezembro de 2002, um aumento frente aos US$ 208,229 bilhões registrados em novembro daquele ano, porém uma redução de US$ 2,2 bilhões em relação ao resultado de setembro de 2002.

As dívidas de médio e longo prazo caíram US$ 624 milhões no último trimestre de 2002, em função da retração de US$ 4,1 bilhões da dívida do setor privado e público do setor financeiro e do crescimento de US$ 3,5 bilhões da dívida do setor público não financeiro. Já a dívida de curto prazo decresceu outro US$ 1,5 bilhão, concentrada na redução nas linhas de crédito à exportação e importação.