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SÃO PAULO – A agência de classificação de riscos Fitch Ratings divulgou na última segunda-feira relatório em que apresenta uma análise da economia mundial, inclusive os riscos a que diversos países estão sujeitos dentro de um cenário de elevação na taxa de juro nos EUA
Apesar da possível elevação dos juros nos EUA e da esperada queda nos preços das commodities, a agência manteve uma percepção favorável ao Brasil.
Importância do ajuste no setor externo
Para a agência, o maior risco às economias da América Latina, como resultado de juros mais altos nos EUA, seria no que diz respeito à necessidade de financiamento externo da região, que, apesar de cair de US$ 167 bilhões em 1998 para cerca de US$ 100 bilhões em 2004, ainda segue elevada.
No caso brasileiro, a agência ressalta o bom desempenho do setor externo, com o país gerando seu segundo superávit em conta corrente em uma década, como resultado do forte crescimento das exportações. Este fator é positivo, pois reduz de forma significativa a necessidade de financiamento externo.
Agência mantém rating apesar dos riscos
A classificação de risco do Brasil da Fitch permanece estável em B+. Como riscos à estabilidade de países emergentes, principalmente os latino-americanos, a agência aponta uma possível baixa nos preços das commodities e uma elevação da taxa de juro nos EUA.
O primeiro fator pode trazer problemas à conta corrente desses países, devido à composição de suas exportações, já que os que são maiores exportadores de commodities são mais afetados em sua balança comercial, em razão de variações no preço. Já o aumento na taxa de juro norte-americana pode diminuir a entrada de capitais estrangeiros nesses países.
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Como um fator mais específico ao Brasil, a agência avalia o escândalo político como um fator de perigo para o andamento das reformas e, conseqüentemente, para o crescimento econômico de médio prazo.
Ajuste fiscal e balança comercial
A Fitch espera que o Brasil consiga obter um superávit em conta corrente da ordem de US$ 2 bilhões em 2004, devido ao bom resultado da balança comercial – impulsionada pelo forte crescimento das exportações.
Outro fator apontado pela agência como positivo foi a obtenção do superávit primário de 4,25% do PIB, que a agência considera provável que seja mantido este ano.