Ajuste e risco de default grego pressionam mercados de ações globais

No entanto, investidores estão carentes da principal referência internacional, com Wall Street fechada por feriado nos EUA

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SÃO PAULO – Ainda sem a confiança de que os indícios favoráveis da semana passada sobre a crise na Grécia e a economia dos EUA serão confirmados, os mercados de ações retomam sua rotina de instabilidade na sessão desta segunda-feira (4).

Em tempos de tamanha volatilidade, altas como a registrada pelos mercados na última semana podem causar ressaca. Além disto, a falta de referências pode ser agravada pela ausência dos negócios nos Estados Unidos, por conta do feriado do dia da independência do país.

Com isto, a principal baliza para os mercados financeiros internacionais é o desempenho dos índices de ações europeus. No entanto, os benchmarks sofrem indefinição de trajetória, com altas em Londres e Frankfurt, mas queda em Paris, com o desempenho negativo das ações de bancos, pressionadas pelo noticiário da crise grega e de ajuste após os ganhos da semana anterior.

Parece, mas não é?
Nem por isto o fluxo de notícias sobre a crise grega é menor. Tão logo começou a semana, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s comunicou que as medidas anunciadas recentemente para a reestruturação da dívida grega não estão distantes do que classifica como “default”.

Tão logo foi divulgada, a notícia reduziu os ganhos nos mercados de ações asiáticos e deve contribuir negativamente para os negócios ao longo desta sessão. Esperava-se que a participação voluntária de credores privados evitasse que a operação fosse nomeada como um evento de crédito. 

Caso isto ocorra, teme-se que instrumentos financeiros de proteção contra o calote, como o CDS (Credit Default Swap) sejam acionados, além de restringir ainda mais a demanda privada pela dívida da Grécia e outros países – como Irlanda e Portugal –, por conta de regras restritivas à ação de investidores institucionais.

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De acordo com a equipe de análise econômica do Danske Bank, “aparentemente, a Grécia foi salva do default por mais três meses”. Embora acreditem que o processo para a concretização de um segundo pacote já esteja ocorrendo, a demora em sua definição aumenta as incertezas.

Perspectivas
“Ações cíclicas e de commodities capitanearam a lista das mais valorizadas e despontam como uma alternativa para investidores com maior apetite por risco ou que busquem um ajuste (ainda que suave) no beta de suas carteiras”, afirmou o chefe de análise da corretora Ágora, Marco Melo.

Internamente, novamente ganha destaque a divulgação de leve queda na mediana das projeções de analistas sobre inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), e crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), segundo o relatório Focus, realizado pelo Banco Central.

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Já o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) mais uma vez registrou queda no ritmo de aumento dos preços com taxa de 0,01% na quarta quadrissemana de junho.

Por fim, o Banco do Japão divulgou que a economia japonesa se recupera rapidamente do desastre natural de 11 de março. Segundo estudo realizado com as economias locais, sete regiões que haviam avaliado de modo cauteloso sua recuperação já reportaram sinais de retomada econômica.