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SÃO PAULO – Os swaps cambiais registrados na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) passarão a ter ajuste diário a partir do próxima dia 6 de junho. Para os contratos fechados com o Banco Central a partir de março, o novo ajuste já poderá ser implementado, mas os investidores que preferirem o ajuste mensal devem se manifestar até esta sexta-feira para não serem submetidos à mudança.
O que é um swap cambial
Swap é uma operação de troca de quaisquer dois ativos entre investidores que possuem expectativas contrárias em relação à valorização dos mesmos. Geralmente, o swap envolve o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e um outro ativo, que pode ser o dólar, índices de inflação como IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), taxas pré-fixadas (o chamado swap pré), ou ainda uma commodity como o petróleo ou o café, entre outros.
Assim, o swap cambial envolverá a troca entre o CDI e a valorização do dólar num determinado período, acrescido de uma taxa, o chamado cupom. Logo, caso um investidor acredite que a cotação do dólar irá subir muito até o final do ano, ele pode travar um swap cambial com outro investidor que aposta que a variação do CDI será maior nesse período.
Então, o investidor que aposta na alta do dólar ganhará do outro a variação da moeda norte-americana mais o cupom, mas será obrigado a pagar a variação do CDI. Ao final do dia, o investidor que tiver apostado no ativo que mais rendeu, ganhará a diferença entre as rentabilidades sobre o valor acordado do swap.
Ajuste diário trará mais segurança aos investidores
Para operar na BM&F, o investidor tem que depositar uma margem financeira na conta da bolsa, que será recolhida caso não possua dinheiro para arcar com o resultado das operações. O valor varia de acordo com o montante investido e com o risco de cada investidor. Assim, os grandes bancos depositam proporcionalmente menos que pessoas físicas, já que o risco de não possuírem recursos para arcarem com possíveis prejuízos é menor.
Com o ajuste mensal, o investidor que apostou no ativo que obteve maior rentabilidade recebe os recursos de sua contraparte apenas no primeiro dia útil de cada mês. Porém, como a moeda norte-americana tem se mostrado bastante volátil frente ao real, torna-se difícil fazer uma previsão para a cotação do dólar ao final de um mês. Logo, o investidor é obrigado a depositar uma margem maior na BM&F e, conseqüentemente, é obrigado a operar quantias menores.
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Assim, com o ajuste diário, as margens tendem a diminuir, pois o risco de calote é menor, já que o investidor “vencedor” receberá os recursos diariamente. Com isso, os contratantes do swap têm condição de planejarem melhor eventuais perdas e, ao mesmo tempo, não são obrigados a depositar margens tão altas, já que, mesmo que o dólar dispare ou desvalorize-se bastante num dia e siga essa tendência durante o mês, a variação diária dificilmente se equiparará à mensal.
Ajuste diário é a segunda mudança do BC
Para tentar rolar a dívida pública pagando juros menores, o Banco Central está gradativamente substituindo as NBC-Es (Notas do Banco Central série Especial) e as NTN-D (Notas do Tesouro Nacional série D), que remuneravam os investidores com a variação cambial mais o cupom, pelos swaps cambiais.
Inicialmente, os bancos fechavam as operações de troca com o BC, mas eram obrigados a comprarem o mesmo montante em LFT (Letras Financeiras do Tesouro), título de renda fixa pós-fixado que remunera o investidor de acordo com o valor da taxa Selic no dia do vencimento do papel.
Porém, como o mercado começou a ficar insatisfeito com o chamado swap “casado”, o Banco Central deixou de obrigar as instituições financeiras de comprarem as LFTs para poderem participar do leilão cambial.
Assim, com a mudança do ajuste mensal para diário, o Banco Central pretende reduzir os custos da operação, mas enfatizou que a medida não alterará a atual política monetária da instituição.