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SÃO PAULO – A análise dos dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central permite inferir que o ajuste do setor externo brasileiro, diante da nova realidade político econômica, persistiu em janeiro. Nesse sentido, o maior superávit comercial levou a um saldo positivo de transações correntes, ao passo que o ingresso de investimentos estrangeiros diretos segue registrando forte queda.
Além do temor dos investidores, principalmente no segundo semestre do ano passado, relacionado à descontinuidade política frente ao quadro sucessório eleitoral, o fraco ritmo do crescimento da economia mundial e a maior aversão a risco por parte dos investidores estrangeiros vem limitando o crédito a países emergentes.
Assim, o saldo de transações correntes em janeiro foi positivo em US$ 156 milhões, bastante superior ao déficit de US$ 1,174 bilhão registrado em igual período de 2002.
Balança comercial começa a refletir elevação das exportações
Contrariamente ao que vinha ocorrendo nos últimos meses, quando o superávit comercial vinha sendo impulsionado principalmente pela queda nas importações, o volume de exportações registrou forte alta de 21% em janeiro deste ano, com relação ao mesmo período do ano passado.
Na mesma comparação, as importações recuaram apenas 4,1% e, desta forma, o superávit comercial chegou a US$ 1,160 bilhão, forte incremento de 573% frente ao saldo positivo de US$ 172 milhões registrado em janeiro de 2002.
Já o saldo com serviços e rendas, que incluem o pagamento e recebimento de royalties, seguros e outros serviços, também apresentou melhora, registrando déficit de US$ 1,252 bilhão em janeiro deste ano, frente ao saldo negativo de US$ 1,474 bilhão em igual período de 2002.
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Conta capital registra forte queda
Porém, se por um lado as incertezas com relação à sucessão presidencial em 2002 e adversidades no cenário externo levaram à depreciação cambial, que por sua vez beneficiou o resultado da balança comercial, por outro a conta de capital foi negativamente impactada.
Nesse sentido, a conta capital e financeira registrou saldo negativo de US$ 191 milhões, bastante inferior ao superávit de US$ 1,875 bilhão apurado em janeiro de 2002.
Para tal, contribuíram negativamente tanto a conta de investimento direto líquido, que inclui os investimentos de estrangeiros no Brasil como de brasileiros no exterior, além dos investimentos em carteira, que incluem saldo líquido dos investimentos em ações e renda fixa, além da conta de outros investimentos, que corresponde aos créditos comerciais e empréstimos.
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Investimentos diretos registram forte queda
Os investimentos diretos líquidos totalizaram US$ 724 milhões, forte queda de 50% com relação ao ingresso de US$ 1,467 bilhão apurado em janeiro do ano passado.
Com a deterioração das condições de acesso de entidades brasileiras ao mercado internacional, o saldo de investimentos em carteira registrou forte queda de 63,8% em janeiro deste ano, com relação a igual período de 2002, recuando de US$ 1,499 bilhão para US$ 543 milhões.
Na mesma direção, a entrada de recursos com títulos de renda fixa recuou de US$ 1,4 bilhão para US$ 495 milhões, forte queda de 65%.
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Balanço de pagamento registrou saldo positivo de US$ 713 milhões
O resultado do balanço de pagamentos em janeiro foi positivo em US$ 713 milhões, o que representa forte elevação de 41% frente ao saldo positivo de US$ 506 milhões apurado em igual período de 2002.
Desta forma, as reservas internacionais registraram leve alta de 2,5% com relação a dezembro de 2002, subindo de US$ 37,823 bilhões para US$ 38,772 bilhões.