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SÃO PAULO – Passada mais uma semana com grande volatilidade, mas ainda andando de lado, o mercado doméstico parece emperrado à espera de uma possível realização, ou de sinais econômicos mais confiáveis para retomar a alta.
Depois do forte movimento de apreciação, impulsionada também pela expectativa de retomada econômica, uma pausa para averiguar se há fundamentos que justifiquem a continuidade parece natural. Na visão de alguns analistas, muito do que o cenário atual aponta de positivo já foi incorporado.
Espera pela confirmação
De acordo com analistas do banco francês Société Générale, a recuperação ainda esbarra na confirmação da recuperação já apontada, mas apenas em indicadores de intenção, como o sentimento do consumidor. “A confiança em um crescimento sustentado não virá antes da retomada do emprego”, ponderam.
Com interpretação mais otimista, a corretora Spinelli ressalta em relatório que os mercados internacionais já refletem as melhoras na economia real. Todavia, afirmam que eles “devem manter a tendência de recuperação das últimas semanas”.
De acordo com o banco BMO, os mercados encontram-se em situação muito semelhante à vivenciada em 1992 e 2003, prelúdios de crescimento nos lucros das empresas listadas no S&P 500 de 45%, nos dois anos seguintes. Segundo o analista Douglas Porter, “os mercados simplesmente mandam a clara mensagem de que a recuperação está logo à frente”.
Mercado no alvo
Menos empolgado está o grupo de consultores econômicos da RGE Monitor, de Nouriel Roubini. A teoria do descolamento do crescimento dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) em relação aos países desenvolvidos voltou à moda e tem levado os mercados destes países a registrar uma performance superior.
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Se o cenário à frente ainda é incerto, o fim do rali pode indicar que este diferencial já foi incorporado aos ativos: “Seus mercados de ações já precificam essa performance superior”, diz a RGE Monitor.
Tendo em vista as projeções de preço para as ações domésticas, os analistas do BNP Paribas afirmam que o mercado “está no preço justo”. Sem espaço teórico para apreciação, a conclusão parece óbvia: “de acordo com nossa filosofia de investimentos, é hora de vender”, concluem.
O próximo gatilho
O mercado deve prosseguir atento a Wall Street, e o tema dominante na terra de Barack Obama é a antecipação de uma alta no juro básico, motivada pelos primeiros sinais de recuperação. Refletindo o aumento do apetite por risco e a liquidez injetada pelos governos, os rendimentos de Treasuries voltam a subir.
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Nos EUA, desponta a revelação de dados sobre a inflação, assim como sobre a produção industrial e a construção de casas. Contudo, a semana deverá ser tomada pela formação de expectativas em torno dos próximos passos do governo dos Estados Unidos.
“A despeito da melhoria recente, a situação econômica e financeira ainda é muito fraca e incerta para justificar a elevação de taxas”, pondera a equipe do banco Société Générale.
Movimentada desde o início por conta do vencimento de opções sobre ações, a agenda doméstica trará como grande referência a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que se reuniu nesta semana e decidiu pelo corte de 100 pontos base da taxa Selic – o que surpreendeu os analistas pela agressividade.
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Sem a definição de tendência, os mercados despontam para mais uma semana de volatilidade e busca por referências – gatilhos para nova alta ou empurrão para descer do muro.