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SÃO PAULO – Depois de inúmeros cortes de preços-alvo e de recomendações, o que levou as ações da OGX Petróleo (OGXP3) a praticamente sumir das recomendações de analistas para este mês, a deterioração nas projeções de analistas para a empresa ainda não chega ao fim. Pela segunda vez no mês analistas do Deutsche Bank cortaram o preço-alvo da companhia, dessa vez passando de R$ 6,00 para R$ 4,00. Em junho, a projeção era de R$ 18,00. A diferença é que, agora, eles recomendam que o investidor venda os papéis.
“Com uma visibilidade limitada, nós acreditamos que um risco ainda maior não deve ser descartado”, alertam Marcus Sequeira e Luiz Fonseca, que assinam o relatório da instituição. Desde o início do ano o papel da petrolífera já despencou 58,7%, para R$ 5,62. Assim, os analistas ainda veem um potencial teórico de desvalorização de 28,8%.
Eles esclarecem que desde o anúncio da vazão inicial de 5 mil barris de petróleo por dia nos poços de Tubarão Azul e o primeiro corte de preço-alvo eles conversaram com diversos consultores e geólogos para entender melhor os blocos na Bacia de Campos. A conclusão é que muito provavelmente esses poços enfrentarão as mesmas dificuldades dos outros poços na seção albiana da bacia, que possuem uma geologia semelhante aos poços de Tubarão Azul.
Produção pode ficar abaixo de 5 mil
Para quem pensa que a situação nestes poços não pode piorar, o Deutsche Bank estima uma produção ainda menor: 4 mil barris por dia. E alerta para o fato de que o relatório da certificadora DeGolyer & MacNaughton não deve funcionar como um trigger para os papéis, como é esperado por parte do mercado, já que a chance de uma avaliação mais conservadora é elevada.
“A OGX ainda tem que provar que é ‘um produtor de baixo custo’, como a diretoria afirmou em um recente conferece call”, disparam. Sequeira e Fonseca, que já alertaram para a possibilidade da petrolífera ter que emitir dívida, voltaram a alertar sobre esse fator – a empresa possui US$ 3,6 bilhões em posição de caixa, mas US$ 3,9 bilhões em dívidas no final do primeiro trimestre e um capex de R$ 1 bilhão.
Ou aumenta a produção ou reduz custos
Os analistas do Deutsche escrevem que uma surpresa positiva para as ações viria de fluxos de produção melhores, menores custos de produção, especialmente pela necessidade de menos poços, ou uma monetização dos ativos antes do esperado – este último é visto como muito improvável, dada a indicação desfavorável dos poços na Bacia de Campos e estágios ainda iniciais de exploração em outras bacias.