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Itaú BBA elabora 5 dicas simples para evitar a inadimplência no agronegócio

Atraso nos pagamentos apresenta forte crescimento em 2016, quando PIB da agropecuária também chama atenção negativamente

Agronegócio
(Nolanberg11)

Se no passado recente a agropecuária contribuía com números fortes para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), o mesmo não se pode dizer sobre esse ano. Os dados divulgados nessa manhã pelo IBGE mostram retração de 1,4% no resultado do terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores. Esse desempenho foi inferior aos da Indústria (-1,3%) ou aquele apresentado no setor de serviços (-0,6%).

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a retração foi de 6%. Ao comentar os números, o IBGE explicou que safras relevantes para esse período, como milho, algodão, laranja e cana de açúcar, têm sofrido com decréscimo na estimativa de produção anual e perda de produtividade. Esse cenário mais desafiador também tem se refletido no aumento da inadimplência no agronegócio, principalmente para a pessoa física.

Informações divulgadas recentemente pelo Banco Central mostram que os atrasos superiores a 90 dias atingiram 2,27% do crédito rural total nessa categoria em outubro. Esse é o maior patamar em pelo menos cinco anos, e representa evolução significativa diante da taxa de 1,8% no fim de 2015 e de 1,3% em 2014.

Para auxiliar o setor a se estruturar melhor e expandir com mais segurança nesse momento mais desafiador, a área de Produtores Rurais do Itaú BBA elaborou uma lista com cinco dicas simples. Confira, abaixo, as medidas elaboradas pela instituição financeira para manter o negócio agrícola dentro de uma zona de segurança e que devem oferecer resistência diante de intempéries:

1. Faça um planejamento financeiro e gerencie o fluxo de caixa

Disciplina e planejamento do ritmo de investimentos são primordiais para a manutenção da saúde financeira. Muitos produtores demoram a diagnosticar que algo está errado por adotarem o sistema de livro caixa, sem produzir relatórios contábeis, os chamados balanços – ideais para identificar desequilíbrios entre usos e fontes de fundos. Além de controlar o fluxo de caixa de forma eficiente, os balanços ajudam na tomada de decisões estratégicas.

2. Expanda seu negócio na proporção em que acumula capital

O aumento na escala de produção precisa estar sempre em equilíbrio com o acúmulo ou reserva de capital próprio. Dessa forma, o produtor pode promover o crescimento e ainda assegurar a permanência de alguma reserva financeira.

No geral, os produtores rurais se endividam ao comprar novas propriedades com o financiamento do próprio vendedor. Na tentativa de expandir o negócio sem a devida retaguarda de capital próprio, estes produtores podem perder liquidez por conta dos compromissos assumidos, partir para a busca de mais financiamentos, o que complica sua gestão financeira.

O fato do produtor ter terras como garantia para financiamento facilita o acesso a empréstimos, mas isso pode levá-lo a um risco mais alto por meio do endividamento crescente, juros maiores, decisões de gestão focadas na preservação do caixa etc. Ou seja, esta é uma ciranda prejudicial e, muitas vezes, sem volta!

3. Cautela com o endividamento

O total de endividamento, seja com bancos, fornecedores, trocas, adiantamentos ou com a compra de terras, não deve ultrapassar a receita anual. Já em caso de atividades de alta rotatividade e alta volatilidade, como hortifrútis, o total de dívidas não deve passar da metade da receita anual. Outro indicativo é que o total de endividamento não deve ser maior que quatro vezes o resultado operacional (o resultado operacional é igual a receitas do ano menos despesas de campo, de mecanização e de escritório).

4. Controle os compromissos a vencer

Também é importante que o total de compromissos (fornecedores, prestações de máquinas, de financiamentos e de terras) a vencer no ano seja um pouco menor que o valor dos haveres, como estoques, aplicações financeiras, recebíveis e o valor da safra no campo. Ou seja, os ativos de curto prazo devem ser maiores que os passivos de curto prazo.

5. Tenha sempre reservas para intempéries

O racional de finanças pessoais sobre ter uma reserva para emergências também se aplica aos negócios agrícolas. É fundamental manter-se o equivalente a três meses de despesas gerais (escritório, combustíveis, folha de pessoal, por exemplo) em aplicações financeiras reservadas ou em estoque totalmente livres de compromissos.

 

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