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Brasil tem potencial para produzir 10 bilhões de litros de etanol 2G até 2025

Para alcançar essa meta, estudo sugere que sejam realizadas políticas públicas que deem suporte as ações exigidas pela iniciativa privada

tombamento da cana - Biosev
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Brasil conta com capacidade para produzir 10 bilhões de litros de etanol 2G pelos próximos anos. Mas para que isso aconteça serão necessários investimentos na construção de novas unidades industriais, além de um ambiente regulatório que favoreça as ações deste segmento. As informações são do estudo intitulado “Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives”, lançado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) com a colaboração da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Ao analisar a atual infraestrutura industrial e agrícola do setor sucroenergético brasileiro, a pesquisa indica que nos próximos nove anos, a marca de 10 bilhões de litros de etanol 2G só será atingida se houver expansão na moagem de cana, modernização e integração das produções de etanol 1G e 2G nas usinas existentes, além da construção anual de 10 unidades exclusivamente voltadas ao biocombustível celulósico a partir de 2020.

No curto-prazo (2016-2025), somente com o retrofit em 81 plantas em operação, cuja capacidade de moagem somada alcança 275 milhões de toneladas de cana por ano, seriam produzidos 5 bilhões de litros de etanol 2G até 2025. Outros 1,5 bilhão de litros adviriam de um acréscimo na moagem de 100 milhões de toneladas de cana, volume facilmente alcançável por 80% das empresas do segmento, de acordo com o documento. Por fim, a inauguração de 10 unidades a partir de 2020, quando novas variedades de cana poderão aumentar o rendimento do etanol para cerca de 19 mil litros por hectares, culminará, após cinco anos, em uma produção total de 3,5 bilhões de litros. Somadas todas estas ações, o Brasil atingiria o volume de 10 bilhões de litros de etanol celulósico projetado pela UNCTAD em 2025.

Mas para que tudo isso seja possível, a publicação defende criação de políticas públicas que deem suporte as ações exigidas da iniciativa privada. O estudo indica a criação de cinco pontos: criar marcos regulatórios para a bioenergia avançada; promover a cooperação entre as organizações nacionais e empresas estrangeiras, a fim de facilitar a transferência de tecnologia; flexibilidade para os agentes de mercado que operam biorrefinarias atuarem em outros segmentos, incluindo materiais, alimentação, alimentos e energia; e incentivar o diálogo técnico entre as diferentes regiões de produção de combustíveis avançados, a fim de garantir padrões compatíveis para matérias-primas e o comércio do produto.

O objetivo do documento, segundo a UNCTAD, é promover novas oportunidades de mercado para nações interessadas em desenvolver biocombustíveis avançados, um dos instrumentos mais eficazes no combate às mudanças climáticas. O tema, inclusive, motivou assinatura do Acordo de Paris, documento firmado ao final da Conferência do Clima (COP21), em dezembro de 2015, quando 195 países se comprometeram com metas individuais para a redução dos gases do efeito estufa (GEEs).

No caso do Brasil, que terá de cortar 37% das emissões domésticas de GEEs até 2025 - com base nos níveis de 2005 –, a participação do etanol carburante e demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar na matriz energética deverá saltar dos atuais 16% para 18%, o que exigirá a produção de 50 bilhões de litros do combustível renovável até 2025.

 

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