Agenda dos EUA pesa sobre percepção global, levando queda às bolsas

Cautela aumenta, com perspectiva de sinais negativos sobre economia dos EUA; na Europa, desemprego segue em 10%

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SÃO PAULO – Os que acharam que a revisão melhor do que o esperado do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos na última sexta-feira (27) daria fôlego extra aos mercados devem estar surpresos com o final de agosto. Em mais uma manhã de queda nas bolsas ao redor do globo, os investidores mostram-se avessos ao risco e continuam preocupados com a possibilidade de uma nova recessão mundial.

A manhã delineia-se da seguinte forma: quedas de quase 1% nos principais índices acionários da Europa, o mercado futuro apontando uma abertura no negativo em Wall Street e uma desvalorização generalizada no mercado de commodities metálicas e energéticas. Nesse cenário, nem mesmo o dólar tem um movimento certo, depreciando-se frente ao euro e ao iene e valorizando-se frente à libra esterlina.

Resumindo, o dia é de apreensão diante das expectativas de novas sinalizações de enfraquecimento da economia dos Estados Unidos. Na agenda desta terça-feira (31), o principal destaque é a ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), realizada em 10 de agosto. Além dos assuntos discutidos pelos membros do comitê, o documento deve indicar quais os próximos passos da política monetária.

Antes da ata, que será divulgada às 15h (horário de Brasília), os investidores avaliam os números do S&P/Case-Shiller Home Price, que mede a trajetória dos preços das casas nos Estados Unidos, com anúncio previsto para 10h. Às 10h45 será divulgado o Chicago PMI, com a atividade industrial na região, e às 11h, o Consumer Confidence, com a confiança do consumidor norte-americano.

Desemprego e inflação na Europa
Na Europa, as principais referências da agenda na manhã já foram anunciadas. Segundo a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, a taxa de desemprego ajustada sazonalmente atingiu 10% na Zona do Euro em julho, estável em relação a junho, mas acima dos 9,6% vistos no mesmo período de 2009. Nos 27 países da União Europeia, o desemprego também ficou estável na passagem mensal, em 9,6%, mas aumentou na comparação com julho de 2009, quando era de 9,1%.

A agência também anunciou as estimativas de inflação de agosto, prevendo uma alta anual de 1,6% neste mês na Zona do Euro. Em julho, a taxa havia sido de 1,7%.

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No Reino Unido, a confiança do consumidor medida pela GfK NOP melhorou inesperadamente, passando de 22 pontos negativos em julho para 18 pontos negativos em agosto – a primeira alta em seis meses.

Japão não anima
Na Ásia, poucas declarações são mais enfáticas do que a queda de 3,55% no índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, para demonstrar a decepção dos japoneses frente ao pacote de estímulos anunciado na última sessão. Mas, nas palavras do ex-membro do BoJ (Bank of Japan) Nobuyuki Nakahara, a extensão do programa de financiamento foi “pequena demais e tarde demais”.

Na segunda-feira, a autoridade monetária do Japão anunciou que irá elevar os programas de crédito para bancos em ¥ 10 trilhões (US$ 118 bilhões), atingindo um total de ¥ 30 trilhões. Sem descartar novos estímulos, o líder do BoJ, Masaaki Shirakawa, afirmou que o banco está preparado para tomar mais medidas, caso seja necessário.

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Emergentes acelerados
Em contrapartida às preocupações com uma nova recessão, a Índia mostrou um crescimento de 8,8% no PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2009. Este é o maior ritmo de expansão em dois anos e meio e ficou em linha com o esperado pelos analistas.

Por outro lado, a alta reforça a visão de que a Índia terá que contrariar as medidas de flexibilização tomadas pelo Japão e pelos Estados Unidos, apertando a política monetária para controlar a inflação.

Brasil
Por falar em política monetária de emergentes, esta terça-feira marca o primeiro dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) no Brasil, com a comunidade econômica divida entre manutenção do juro básico em 10,75% ao ano e elevação de 50 pontos-base. A decisão será divulgada apenas na próxima sessão, quando termina o encontro.

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Por enquanto, os investidores brasileiros avaliam os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Pesquisa Industrial Mensal. O relatório mostrou alta de 0,4% na atividade industrial na passagem de junho para julho deste ano, o primeiro avanço em três meses de queda. Na base anual, o crescimento foi de 8,7%.