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SÃO PAULO – Incertezas quanto à recuperação da economia norte-americana, o aperto monetário chinês e a crise fiscal na Europa seguem no foco e ainda preocupam os investidores. Apesar disso, especialistas afirmam que indicadores internos – como a desaceleração da inflação – poderão desencadear uma fase positiva para a bolsa.
Na próxima sexta, será divulgada o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, que de acordo com os especialistas, deve contribuir para a retomada da bolsa. O Santander, por exemplo, estima que o indicador tenha expansão de 1,2% na comparação com o trimestre anterior e de 4% se comparado ao mesmo trimestre do ano anterior.
Conivente com a estimativa de crescimento esperada pelo Santander, o operador da Um Investimentos, Eduardo Oliveira, acredita que “este será um passo para a melhora do desempenho da bolsa”.
A expectativa geral também é de que a inflação comece a arrefecer nos próximos meses – como indica o Relatório Focus, do Banco Central. Pela quarta semana consecutiva, o Focus indicou queda na mediana das projeções para o acumulado anual do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ao mesmo tempo em que marcou estabilidade na projeção para o resultado mensal de maio do índice de preços que serve como taxa de referência para o sistema de metas de inflação do Governo.
Empresas de consumo
O consumo em alta também pode ser apontado como um fator para impulsionar a bolsa. Isso porque o aumento de juros, a contenção de crédito e altos custos com mão de obra interferiram no desempenho de diversos setores, em especial os de consumo, imobiliário e bancos.
Apesar disso, Oliveira já enxerga melhora do desempenho desses segmentos. “Observamos uma demanda bastante aquecida no Brasil e nos Estados Unidos, o que mostra que as famílias ainda estão mais receosas para o consumo, mas recuperam aos pouco o receio do período da crise”, analisa.
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Recuo da bolsa
Segundo especialistas, o recuo da bolsa brasileira reflete a preocupação dos investidores com a economia interna e, em consequência, com a retirada dos investidores estrangeiros do mercado. “Os investidores internacionais não estão acostumados a sentir essa ‘complacência’ com a inflação. Isso é um aspecto para assustar todos os investidores, tornando o mercado de renda fixa mais atrativo no momento”, explica o diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Grisi.
Os investidores também estão em alerta com a interferência do governo na Vale (VALE3, VALE5) e Petrobras (PETR3, PETR4). O temor é de que essas companhias passem a desenvolver projetos pouco lucrativos para atender ao governo.
Na Vale, a ingerência do governo durante o processo de troca do presidente chamou a atenção dos investidores. “O mercado se penalizou com a interferência na Vale e isso é muito negativo para as bolsas e afeta a credibilidade dos discursos”, explica Antonio César Amarante, economista da Senso Corretora.
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Na Petrobras, o fato de a companhia não ter reajustado o preço dos combustíveis após a alta de 58% do barril de petróleo Brent no mercado internacional nos últimos 12 meses coloca o investidor em alerta.
“Esses fatores fazem o mercado pesar um pouco em relação aos papéis e a economia e essas medidas precisam ser reconsideradas pelo governo para que a retomada na bolsa torne-se sustentável”, conclui Amarante.