Agenda da semana: analistas têm perspectiva positiva para bolsas

Inflação e desemprego são destaques no Brasil; no exterior, reuniões do Fomc prometem dominar atenções

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SÃO PAULO – A semana iniciada no dia 21 de setembro é marcada por poucas divulgações na esfera econômica. Ainda assim, os números agendados para o Brasil e para os EUA poderão trazer alguma influência nos negócios, modificando o andamento dos mercados.

No front doméstico, a agenda começou com a divulgação do relatório Focus e da balança comercial semanal, na segunda-feira (21), e prossegue com os dados de inflação na terça, quarta e quinta-feira. O evento mais importante será a versão quinzenal do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) na quinta, que, de acordo com o Santander, deverá indicar alta de 0,17% em setembro.

Na quarta-feira, a atenção no Brasil ficará por conta dos números sobre o setor externo, e a previsão é de bom desempenho. As projeções do banco espanhol apontam déficit em Transações Correntes de US$ 580 milhões em agosto, bem menor que o US$ 1,6 bilhão negativo observado no mês anterior.

Por fim, a agenda interna trará novos dados sobre o mercado de trabalho na quinta-feira, a exemplo dos números sobre a taxa de desemprego: os analistas enxergam redução de 8% para 7,8% em agosto, mas a expectativa é que a taxa não continue caindo no mesmo ritmo nos próximos meses, devido à menor contratação do setor industrial.

Mercado internacional

No panorama externo, a agenda econômica conta com publicações nos EUA sobre o nível de atividade e o mercado imobiliário de agosto, além dos dados referentes à confiança do consumidor em setembro. Na Europa, o destaque fica por conta do índice PMI da Zona do Euro, responsável por mensurar a atividade industrial na região.

A diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, acredita que o cenário estrangeiro prosseguirá favorável aos negócios, especialmente porque o Comitê de Política Monetária do Fed (Fomc) deve sustentar “uma avaliação positiva e cautelosa sobre a atividade econômica, sinalizando estabilidade da taxa de juro por um bom período”, nas reuniões de terça e quarta-feira.

Bolsas e câmbio

Os analistas sinalizam alguma preocupação diante das altas recentes acumuladas no mercado de ações, mas ainda assim a perspectiva é positiva para as bolsas. “Ao contrário do que imaginávamos, a interrupção da euforia dos mercados não durou muito mais do que uma semana e o ciclo de redução da aversão ao risco voltou a reinar”, comentou a equipe do Santander.

A expectativa é de que o mercado de câmbio também não sofra grandes mudanças nas cotações, sendo esperado que a moeda norte-americana continue próxima a R$ 1,80 nos próximos dias. Na visão de Miriam Tavares, poderá até recuar para perto de R$ 1,79 durante os momentos de maior otimismo, mas a cotação acima de R$ 1,80 deverá ser predominante nesta semana.

A Coinvalores sinalizou opinião parecida e ressaltou ainda a possibilidade de obtenção do grau de investimento pela Moody’s nos próximos dias, como já foi comentado pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, no começo do mês. “Cabe lembrar que a agência de classificação de risco subiu a nota da dívida soberana da Indonésia e elevou a perspectiva para o rating da Turquia na semana passada. Caso o Brasil receba o selo de investimento, isso poderá repercutir positivamente nos investimentos em bolsa”.