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SÃO PAULO – A crise não abalou apenas a perspectiva para a economia global. Os mercados começaram a olhar diversas questões com outros olhos. Instituições antes inabaláveis mostram-se de joelhos e a credibilidade de outras passou a ser questionada. As agências de classificação de risco passaram de analistas a acusadas de parte na culpa pelo momento complicado dos mercados.
As avaliações de Moody’s, Standard & Poors’s e Fitch Ratings dão sinais de falhas significativas, e não apenas no episódio das hipotecas de alto risco. Na ocasião da quebra da gigante de energia norte-americana Enron, em 2001, o escândalo da manipulação dos balanços pela empresa já havia levantado suspeitas acerca dos ratings conferidos por estas agências.
Os sinais foram se acumulando e a credibilidade caindo. Com o estourar da atual crise no meio de 2007, as hipotecas de alto risco despontaram como ameaça à estabilidade econômica como um todo, mas nem por isso levaram a cortes significativos nos ratings de suas principais detentoras. Grande parte das financiadoras e companhias com grande exposição ao segmento ainda eram tidas entre as “AAA”s de Moody’s e S&P.
Os reguladores do mercado internacional já manifestavam descontentamento com as avaliações das agências de risco. O Fórum Econômico Mundial de Davos deste ano colocou a tríade como alvo de duras críticas. Posteriormente, a União Européia clamou por medidas para limitar a atuação das classificadoras dos riscos. Angela Merkel chegou a sugerir a criação de uma agência européia de risco; um olhar alternativo ao do trio norte-americano.
“Uma história de erros colossais”
O avanço da crise foi devastando os mercados com a mesma força que derrubava as avaliações favoráveis das agências. As próprias reconheceram as falhas. Stephen Joynt, CEO (Chief Executive Officer) da Fitch, afirmou que “ficou claro que muitas opiniões não tiveram boa performance”.
O reconhecimento do erro foi ao encontro de declarações pesadas de autoridades. Henry Waxman, do partido democrata norte-americano, afirmou que “a história das agências de risco é uma história de erros colossais”.
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Diante dos erros, os reguladores começaram a investigar a atuação das agências mais de perto e encontraram situações preocupantes. Interceptando a comunicação entre analistas da Standard & Poor’s no meio deste ano, se depararam com uma frase em que diziam “vamos torcer para estarmos aposentados quando a casa vir abaixo”.
Vendem a alma por remuneração
De falha, o mercado passou a associar as avaliações à “má fé”. A quarta-feira (22) selou esta preocupação. Novamente interceptando uma comunicação via e-mail, agora entre empregados da Moody’s, veio à tona a afirmação de que os ratings das agências de hipotecas os faziam parecer incompetentes, ou “vendem a alma por qualquer remuneração”.
Uma conversa entre analistas da S&P também veio a público. Sobre um ativo lastreado em hipotecas analisado em maio de 2007, um empregado da agência iniciou a conversa citando que “a transação é ridícula”, para qual outro funcionário afirmou que “o modelo empregado não captura nem metade dos riscos envolvidos”. Com a resposta de que a melhor opção seria não dar uma classificação ao ativo, o mesmo funcionário afirmou que eles classificam qualquer transação, que pode ser estruturadas por ‘vacas’ e que, portanto, a agência iria classificar.
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Os executivos já reconhecem erros e mostram-se abertos a buscar melhorarias em seus processos de análise. Mas após os últimos episódios, a necessidade do mercado é por transparência.