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SÃO PAULO – Depois de forte preocupação dos investidores com relação à capacidade de geração de recursos da norte-americana AES Corp para honrar dívidas, a empresa anunciou hoje uma redução nos gastos de capital previstos para este ano, em conjunto com a venda de ativos na América Latina, o que deve reduzir a exposição da companhia. O conselho da empresa aprovou a proposta de reestruturação da AES.
Venda de ativos pode render até US$ 1,5 bilhão
A empresa disse que estuda um plano de venda de ativos que deverão rendem uma caixa de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão. Em conjunto com esta medida, a companhia energética norte-americana anunciou que irá reduzir em US$ 490 milhões seu plano de investimentos em 2002, o que deve diminuir principalmente novos recursos para a construção civil. Além disso, a AES declarou que não vê necessidade em recorrer ao mercado de capitais este ano para financiar seus gastos.
Segundo o comunicado da AES, a companhia planeja vender a Cilcorp, uma companhia energética integrada do estado norte-americano de Illinois, além de uma participação minoritária na Ipalco, companhia energética integrada do estado de Indiana, uma participação em Itabo, uma usina de energia movida à combustão do carvão na República Dominicana; além de outros ativos.
Na América Latina presença no Brasil é grande
Adicionalmente a isto, a AES anunciou sua intenção em se reposicionar no mercado de energia com a contratação completa de sua energia ou ainda abstraindo-se de seus negócios de geração. Ao mesmo tempo, a companhia planeja reduzir sua concentração na América Latina através da venda total ou parcial de seus ativos em certas áreas de negócios. De acordo com a AES, a decisão foi tomada para reduzir a volatilidade dos lucros da empresa e fortalecer o balanço da companhia.
Na América Latina, além dos ativos na República Dominicana, a companhia norte-americana está presente nos mercado do Brasil, Venezuela, Chile, Argentina, Panamá, El Salvador e México. Os ativos da empresa energética no Brasil englobam as distribuidoras de energia Eletropaulo (para a região metropolitana de São Paulo) e AES Sul (no Rio Grande do Sul); além de uma participação na empresa integrada Cemig (que atende o Estado de Minas Gerais). Na área de geração a AES Corp controla a companhia paulista AES Tietê (resultado da cisão da Cesp) e opera uma usina térmica em Uruguaiana, também no Rio Grande do Sul.
Na sexta-feira passada (15/2), as ações da AES registraram uma queda de 26% causada pelas preocupações de caixa da empresa, mostrando o forte temor dos investidores ao setor depois da quebra da maior companhia de comercialização de energia do país, a Enron.