Aegea republica balanço de 2024 com lucro 25% menor e corte de R$ 5 bi em patrimônio

Patrimônio líquido consolidado teve uma redução de R$ 5 bilhões

Estadão Conteúdo

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Companhia de Saneamento de Sergipe (Foto: Shutterstock)
Companhia de Saneamento de Sergipe (Foto: Shutterstock)

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A empresa de saneamento Aegea, que tem entre os sócios a Itaúsa, a Equipav e o GIC, o fundo soberano de Cingapura, reapresentou o balanço de 2024 com uma série de ajustes, que deixou o lucro menor e o patrimônio bem mais baixo. O lucro líquido consolidado de 2024, que na divulgação anterior era de R$ 2,4 bilhões, caiu para R$ 1,8 bilhão na reapresentação – 25% menor que no balanço original.

Já o patrimônio líquido consolidado teve uma redução de R$ 5 bilhões, de R$ 11,4 bilhões no balanço de 2024 divulgado originalmente, para R$ 6,4 bilhões com a revisão, apresentada na noite de sexta-feira, em meio a crescentes preocupações dos investidores.

“A companhia realizou revisões de políticas contábeis e reavaliações de estimativas. Esses ajustes, já incorporados nas demonstrações financeiras de 2025, levaram à reapresentação dos resultados de 2024”, afirma a empresa em comunicado.

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A Aegea afirma que os ajustes feitos possuem “natureza estritamente contábil e não afetam a geração de caixa operacional, a posição de liquidez, tampouco implicam descumprimento de obrigações financeiras ou vencimento antecipado de dívidas”.

A companhia é candidata a fazer uma abertura de capital (IPO) bilionária, que poderia ser ainda neste semestre, e também cotada a comprar 30% da Copasa, a companhia de saneamento de Minas Gerais. Mas diante dos ajustes no balanço e o atraso na divulgação, os investidores agora optam por cautela.

A S&P e a Fitch reduziram o rating da Aegea na semana passada e os títulos de dívida (bonds) caíram no mercado secundário. Hoje, o papel que vence em 2029 recua 6%, cotado em 83,59 centavos de dólar, abaixo dos 95 centavos que vinha sendo negociado no final de março. O bond que vence em 2036 chegou a cair para 70 centavos de dólar. “As reapresentações dos balanços aumentam a incerteza em torno das métricas de crédito já apertadas”, alertou a S&P na semana passada.

Ajustes

Entre as mudanças feitas no balanço, a empresa alterou a forma que de reconhecimento contábil de receitas dos serviços de água e das receitas do ativo financeiro.

A Aegea revisou ainda a metodologia de cálculo de perdas de crédito esperadas e baixa de títulos do contas a receber. Nesse item, foi levado em conta o histórico de inadimplência dos últimos 36 meses e os recebíveis são classificados por faixa de atraso – para cada faixa, é aplicada uma taxa de perda esperada.

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Houve ainda ajustes no tratamento contábil da capitalização de juros associados ao pagamento de outorga, especialmente na Águas do Rio, que tem a concessão de blocos da Cedae no Rio de Janeiro. Com o ajuste, ocorreu uma redução do montante de juros capitalizados e um aumento na despesa financeira. Ainda na Águas do Rio, houve ajustes decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial sobre a coligada.