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SÃO PAULO – Ainda que venham de uma performance positiva desde setembro, os mercados se encontram em uma encruzilhada, que pode terminar mal para a economia norte-americana no futuro. A avaliação é de Bob Doll, o estrategista chefe da gestora de fundos BlackRock.
Saindo um pouco de seu otimismo característico, Doll optou por analisar as possibilidades mais obscuras de seu horizonte de estudo. Ele enxergou a possibilidade de desequilíbrio internacional, aliado a uma desaceleração do crescimento dos lucros, além de apontar a necessidade de um ajuste fiscal nos EUA.
Resultados
O estrategista aponta entre os motivos do rali do mercado acionário norte-americano, que se alonga desde setembro, o fluxo de resultados nos EUA, que vem apresentando números fortes. Contudo, ele não acredita que este fator continue sustentando o desempenho das ações por muito tempo.
“Olhando à frente, nós esperamos que o ritmo do crescimento dos lucros ficará, de alguma forma, menor nos próximos trimestres e que as comparações anuais também deverão ficar mais difíceis em vista do desempenho recente”, explica o estrategista, sem deixar de reafirmar sua crença em um ambiente positivo para os resultados em 2011.
Economia
Olhando para a base econômica dos EUA, Doll desenha um cenário pouco animador. Com mercado imobiliário continuando a exibir fraqueza, prejudicando o crescimento da economia como um todo, o ponto crucial para uma recuperação continua sendo o mercado de trabalho, que poderia elevar o nível de consumo revertendo as pressões deflacionárias. Contudo, com a taxa de desemprego se mantendo em níveis historicamente elevados, este não parece ser um caminho viável no curto prazo.
Doll volta a reafirmar sua crença em uma intervenção do governo no sentido de frear a espiral deflacionária. “Existe ainda muito debate se o banco central irá lançar um programa de compra de títulos aberto até o fim do mês, ou se o plano terá um orçamento fixo. Nossa hipótese é de que o Fed escolherá algo mais próximo da segunda alternativa, devendo adotar também uma aproximação adicional mais flexível”, avalia.
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Ele aproveita para estabelecer um paralelo entre a situação recente das economias europeias e os EUA. Doll diz ser improvável que uma crise de débito nos moldes da que ameaçou a Europa durante este ano aconteça nos Estados Unidos no médio prazo, porém não refuta a possibilidade. “No longo prazo, nós concordamos que os EUA deverão passar um ajuste fiscal difícil”.
“Nós esperamos que alguma combinação de taxas elevadas, baixo gasto e reforma política, com a possibilidade de elevação da idade de aposentadoria, no futuro”, dispara Doll.
Por fim, apesar das perspectivas pouco animadoras, o estrategista da BlackRock volta a usar seu usual tom otimista, apontando que, mesmo frente a um cenário de recuperação lenta, que o mercado insiste, corretamente, em precificar, o mercado acionário precisa de um impulso muito pequeno para superar as outras alternativas de investimento. “Neste ambiente, a seletividade se tornou muito mais crítica, uma tendência que esperamos que persista”.